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Sexta, 01 Dezembro 2023 09:17

Crescimento do Islão em Angola começa a “constituir perigo” por falta de reconhecimento – líder muçulmano

O Conselho Islâmico de Angola (Consia) considera que o crescimento do Islão no país começa a ameaçar o Estado angolano e defende o seu reconhecimento oficial para o “controlo efetivo” da religião e seus praticantes.

De acordo com David Já, a religião islâmica começa a “constituir perigo” para o Estado angolano, devido ao elevado número de fiéis que frequentam as mesquitas espalhadas pelo país, sem qualquer acompanhamento e controlo das autoridades.

“As mesquitas estão aí, em todo e qualquer canto encontramos as nossas irmãs vestidas de “hijab” [véu que cobre o cabelo e corpo das mulheres muçulmanas], isso é inegável. Então é preciso que haja reconhecimento para haver um controlo efetivo”, afirmou o secretário-geral do Consia, David Já.

Em declarações à Lusa, durante a visita que o presidente do Conselho Islâmico de Moçambique efetuou a Luanda na semana passada, o responsável afirmou que a garantia da liberdade religiosa dos muçulmanos é essencial para a concretização do Estado democrático e de direito.

David Já pede, por isso, a salvaguarda das liberdades dos muçulmanos no país lusófono, atendendo ao elevado número de crentes, lamentando a “inexistência” de um interlocutor válido no Governo angolano para responder aos anseios dos praticantes desta religião.

“O Governo até agora não tem nenhum interlocutor válido que possa corresponder os anseios dos muçulmanos, que possa de certo modo interagir, dialogar com o Estado e, então, nos tornamos assim como gente entregue à sorte de Alá (Deus)”, lamentou.

Em relação à situação atual do Islão em Angola, David Já faz um balanço positivo, porque “começa a ter uma certa visibilidade”.

“Temos (…) as mesquitas no país, os muçulmanos estão a rezar, hoje o Islão é uma realidade em Angola”, realçou.

O secretário-geral do Consia observou que o Islão se afirma todos os dias no país, com mais jovens a aceitarem a religião, comprovável nos cultos das sextas-feiras, com as mesquitas a registarem “novos convertidos”.

“Significa dizer que a nossa religião cada vez mais vai crescendo cá em Angola”, salientou, recordando que o Islão é reconhecido a nível mundial e que esta confissão “carece apenas de uma acreditação para ter personalidade jurídica” no país.

“O desafio é a acreditação em Angola, curiosamente Angola é membro das Nações Unidas, da União Africana, é membro dos PALOP [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa], Brasil já reconheceu [o Islão], Portugal também já, Moçambique temos laços históricos de longa data, curiosamente em Angola nós estamos atrasados por razões que desconhecemos”, rematou David Já.

A religião islâmica ainda não é reconhecida oficialmente pelas autoridades angolanas, apesar de o país contar com várias mesquitas e milhares de fiéis, entre angolanos e estrangeiros residentes.

A ex-ministra da Cultura angolana Carolina Cerqueira anunciou, em janeiro de 2019, no parlamento, durante a discussão na especialidade da lei sobre a liberdade de religião, crença e culto, que o Governo acompanhava “a evolução do islamismo no país", tendo na altura prometido para breve que tomaria uma posição.

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