Sábado, 31 de Outubro de 2020
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Segunda, 06 Janeiro 2020 22:34

IGAE leva candidatos do concurso público a tribunal

A inspectora-geral adjunta da Inspecção Geral da Administração do Estado (IGAE), Rosa Micolo, decidiu desencadear um processo criminal contra os três candidatos do concurso público de ingresso realizado pela instituição, para provarem, em juízo, a alegada comercialização de vagas, anunciou a IGAE.

A informação foi revelada ontem, em Luanda, pelo inspector-geral adjunto Eduardo Augusto, que falava em conferência de imprensa, para esclarecer factos relacionados com a reclamação feita por três candidatos, na Rádio Ecclesia, sobre alegada corrupção no processo de apuramento.

Segundo Eduardo Augu- sto, uma coisa é os candidatos terem o direito de reclamar, até mesmo impugnar o concurso, e outra é fazer acusações. “Os três candidatos tiveram oportunidade de estar presente no contraditório feito pelo jornalista da Rádio Ecclesia, onde a inspectora-geral adjunta esclareceu todas as inquietações relativas ao processo de selecção”, sublinhou Eduardo Augusto.

Esclareceu que no mesmo dia foi dito, no noticiário, que havia fortes indícios de graves irregularidades no concurso, com os candidatos a afirmarem que as vagas estavam a ser comercializadas no valor de 1.500.000 Kz (um milhão e quinhentos mil kwanzas).

O inspector-geral adjunto da IGAE informou que o direito que os candidatos têm de afirmar ou acusar que houve corrupção e comercialização no concurso público, é a mesma liberdade que a inspectora-geral adjunta tem de se defender, porque não houve falhas no processo.

“A acusação de corrupção a um órgão da Administração Pública já é grave, mais grave, ainda, é uma acusação à Inspecção Geral do Estado, que é o órgão de reserva moral do Estado, dai que uma acusação destas, não apenas afecta a posição da presidente da comissão do júri, mas também a própria instituição”, declarou.

Questionado sobre quantos candidatos foram inscritos no processo, Eduardo Augusto disse que inscreveram-se 16 mil candidatos. A primeira fase foi a prova documental e a segunda fase consistiu no exame de conhecimentos, acabando por ficar apenas 637 candidatos.

Foram apurados apenas 21 candidatos, houve um grande número de reprovações. Alberto Garcia Kindidi teve uma cotação final de 15 valores e Anderson Paulo João teve uma cotação de 12 valores, inscritos na categoria de inspectores. “Por causa do alto índice de reprovação, foi necessário recorrer ao critério da avaliação de exame de conhecimento, onde foram apurados os que tinham 17 valores”, esclareceu Eduardo Augusto.

Sobre a reclamação do candidato Hermenegildo, que alegou ter 12,5 valores, o inspector-geral adjunto do IGAE esclareceu que isso não corresponde à verdade, porque ele teve cotação final de 10 valores.

Eduardo Augusto esclareceu, ainda, que não corresponde à verdade o IGAE estar a ameaçar os órgãos de comunicação social por noticiarem estes factos, porque a impressa é parceira na denúncia de inúmeras irregularidades existentes na Administração Pública.

Sobre a suspensão do jornalista da rádio Ecclesia, “foi feita pela direcção da estação radiofónica e só eles podem justificar o motivo da suspensão”, destacou.

O concurso público de ingresso, aberto em Janeiro de 2019, previa admitir 90 funcionários, sendo 40 inspectores superiores de 2ª classe, 25 técnicos superiores de 2ª classe, dez técnicos de 3ª classe, sete técnicos médios de 3ª classe e oito motoristas de ligeiro de 2ª classe.

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