Segunda, 18 de Mai de 2026
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Segunda, 18 Mai 2026 16:33

Manipulação da informação e financiamento opaco fortalecem autoritarismo em Angola - ONG

0 "financiamento opaco externo", a vigilância digital e a manipulação da informação contribuem para a longevidade do Governo angolano e para erosão democrática no país, conclui um estudo da Friends of Angola (FoA).

De acordo com diretor executivo da organização não-governamental e autor da pesquisa Florindo Chivucute, o estudo incidiu sobre o "declinio dos poucos pilares democráticos", a "aprovação de leis draconianas" e a longevidade do governo suportado pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder desde a independència, em 1975,

Para o autor da pesquisa "Promovendo o Autoritarismo Como a China e a Rússia Comprometem o Potencial da Democracia em Angola", a vigilância digital é um dos fatores que fortalecem a longevidade do governo angolano.

"A vigilância digital, por todo o lado, câmaras por todo o lado, sobretudo em Luanda, e a manipulação da Informação, na minha opinião, estão por detrás do fortalecimento e longevidade da governação cleptocrática ou autoritária e, do outro lado, da erosão da democracia em Angola", notou.

"Também defendo que estes mecanismos funcionam como um substituto externo de prestação de contas (...) o regime em Angola está contra os angolanos", afirmou.

Em declarações à Lusa, o diretor executivo da FoA considerou também que o financiamento externo em Angola enriqueceu apenas uma "franja muito pequenina, sobretudo ligada ao poder executivo", insistindo tratar-se de um "financiamento opaco".

"Através do financiamento opaco que o Governo angolano tem estado a receber, desde o fim da guerra civil em 2002, através da China (..) acabou por criar uma dívida astronómica, mas pouco ou nada se vê do que foi felto com este dinheiro", disse hoje o responsável.

Criticou a falta de fiscalização da ação do executivo angolano por parte da Assembleia Nacional (parlamento), sustentando que isto ocorre porque o financiamento externo no pais enriquece "meia dúzia de pessoas.

"Ele lo executivo angolano] não precisa (de fiscalização) porque está a receber dinheiro proveniente da China. sem a transparência, sem contabilidade e é este dinheiro, para além de enriquecer uma meia dúzia de pessoas, que também é usado para a manutenção do próprio sistema", insistiu.

Chivucute realçou também que a vigilância digital é uma das "apostas" do atual governo, exemplificando o uso do sistema "spyware" (espionagem) ao jornalista Teixeira Cândido, e ainda a "manipulação de Informação".

"Estes mecanismos enfraquecem instituições democráticas, o mercado livre e também a questão da transparência, temos um ambiente de adjudicações diretas, onde empresas chinesas e russas operam sem transparência nenhuma e também acabam por comprometer a integridade eleitoral (...)", comentou.

Na pesquisa, apresentada na semana passada em Washington, realizada no ámbito de uma bolsa de investigação disponibilizada pela National Endowment for Democracy (NED), o diretor executivo da FoA sinaliza que hoje "o retrocesso democrático em Angola e no mundo não resulta de "golpes militares".

"Manifesta-se cada vez mais por meio de sistemas externos que são o financiamento ao desenvolvimento opaco, ferramentas de vigilância digital e a manipulação da informação que contribuem (para) comprometer a integridade eleitoral", reafirmou.

Ao Governo angolano, partidos políticos e à sociedade civil pediu trabalho e ações consistentes para o fortalecimento das instituições visando travar o que considerou de interferência externa na erosão da democracia.

As instituições angolanas, disse, "tëm de ser reerguidas": "E importante termos o "check and balance" (pesos e contrapesos), o poder judicial e o poder legislativo "têm de ser independentes do poder executivo".

Por fim, defendeu a importância de haver, em Angola, "malor transparência" na gestão dos recursos naturais, nos fundos, nos empréstimos e como são gastos "para poder minimizar a corrupção endèmica em Angola e é preciso termos uma sociedade muito mais ativa para questionar".

A FoA fundada em 2014, com sede em Washington, atua em defesa da democracia, direitos humanos e da transparência em Angola e é financiada através de doações e subsídios focados no apoio à sociedade civil.

Entre os seus principais parceiros encontra-se o National Endowment for Democracy (NED) entidade financiada pelo Congresso norte-americano.

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