Sábado, 31 de Outubro de 2020
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Segunda, 17 Fevereiro 2020 13:56

Pompeo diz que EUA apoiam Angola na responsabilização de envolvidos em corrupção

Secretário de Estado Mike Pompeo diz que Washington quer ajudar Luanda na luta contra a corrupção. Chefe da diplomacia norte-americana foi recebido por João Lourenço.

Os Estados Unidos vão ajudar Angola na sua luta contra a corrupção, garantiu esta segunda-feira o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, depois de um encontro com o Presidente angolano, João Lourenço, em Luanda. “Os EUA querem que os angolanos sejam prósperos. Vamos ajudar Angola a repatriar os capitais domiciliados de forma ilícita no estrangeiro”, afirmou, durante uma conferência de imprensa no Ministério das Relações Exteriores, em conjunto com o seu homólogo angolano, Manuel Augusto.

Pompeo elogiou o esforço de João Lourenço na luta contra a corrupção, classificando-o como um “excelente trabalho” que “aumentou a transparência, obrigou as instituições financeiras a limpar as suas contas e perseguiu os personagens maus”. O chefe da diplomacia angolana mostrou-se “optimista” em relação à acção do Presidente angolano, que “continuará a libertar Angola da corrupção”, esse “fantasma do passado” que tem travado o desenvolvimento do país.

Estas palavras são importantes para João Lourenço, cujo Governo tenta há meses conseguir a colaboração dos departamentos do Tesouro e da Justiça norte-americanos para arrestar os bens da empresária Isabel dos Santos, filha do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, nos EUA. E interpretadas por Luanda como um bom indicador de maior colaboração entre os dois executivos.

Manuel Augusto sublinhou que a presença de Pompeo em Luanda “é acalentadora” porque mostra “um sinal de apoio da Administração do Presidente Trump ao programa do Presidente João Lourenço, sobretudo nas reformas que este tem vindo a implementar desde que assumiu a presidência”.

Augusto falou dos dois países como “parceiros estratégicos” que “nos últimos tempos estão a dar toda a atenção a esta parceria”. Mas não o suficiente para conseguir que haja uma visita oficial de Trump a Angola até ao final deste mandato. “O Presidente Donald Trump está muito ocupado neste momento devido à campanha eleitoral em curso no país”, explicou Pompeo, acrescentando que, mesmo assim, iria levar o convite enviado por João Lourenço para que Trump visite Luanda.

O Departamento de Estado norte-americano salienta que os EUA apoiam a luta contra a corrupção em Angola através de uma série de iniciativas, nomeadamente através do programa para melhorar a capacidade de combater a lavagem de dinheiro e o financiamento de terrorismo que o Departamento do Tesouro lançou em Março do ano passado.

“Os EUA usam os seus recursos para corrigir o que está mal” nas transacções financeiras internacionais, de modo a que se tornem “mais limpas e transparentes”, disse Pompeo, antes de sublinhar: “Seguramente, iremos fazer o mesmo para apoiar Angola”.

Mike Pompeo elogiou o “excelente trabalho” do Presidente João Lourenço nos seus primeiros dois anos e meio de mandato, para tornar a corrupção “num fantasma do passado”, Mike Pompeo considerou que se trata de um problema que tem travado o potencial do país “durante demasiado tempo”.

Pompeo, que chegou no domingo à noite a Angola para uma curta visita, encontrou-se esta manhã no Palácio Presidencial da Cidade Alta com o Presidente da República, João Lourenço.

Sobre uma eventual visita do Presidente norte-americano a Angola, Pompeo afirmou ter recebido um convite por parte do chefe de Estado angolano que irá entregar a Donald Trump, mas disse não estar em condições de responder se o encontro se poderá concretizar este ano, um “ano eleitoral” em que o Presidente dos EUA estará “muito ocupado”.

A visita de Mike Pompeo a Angola acontece um mês depois de o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação ter revelado 715 mil ficheiros, sob o nome de ‘Luanda Leaks’, que detalham esquemas financeiros da empresária Isabel dos Santos, filha do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, e do marido desta, Sindika Dokolo, que terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano, utilizando paraísos fiscais.

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