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Quarta, 01 Janeiro 2014 18:27

Porquê que JES deve imeaditamente demitir-se da presidência e mediar uma alternância pacífica?

A República de Angola é um país que está em crise de liderança, onde a inevitável alternância política do actual Presidente, que se avista à passos longos, poderá ser turbulenta e resultar em duas crises: a própria alternância ou sucessão e a sua posterior crise transicional político-administrativa da actual para a futura Presidência da República.

Historicamente falando, a ascensão de José Eduardo dos Santos na Presidência da República de Angola deveu-se em consequência do passamento físico do Primeiro Presidente da República Popular de Angola, Dr. António Agostinho Neto aos seus 56 anos de idade, após ter governado o país por um periodo de 3 anos e dez meses. Um mês de ter completado 37 anos de idade, José Eduardo dos Santos foi nomeado pelo MPLA à suceder o Dr. Agostinho Neto no dia 21 de Setembro de 1979, claramente uma sucessão difícil caracterizada como impossível mas necessária.

Os feitos de José Eduardo dos Santos (JES) são factos vísiveis, deixando em debate a questão de quem são os interesses de que continua a lutar nestes 35 anos a completar no poder. Na óptica de muitos, o tempo demonstrou a traição dos princípios iniciais da luta de libertação nacional pela concentração de poderes em JES e seus seguidores, na defesa da perpetuação dos mesmos na direcção do país, enriquecendo-se corruptamente em detrimento de uma vasta maioria do povo Angolano.

PORQUÊ QUE DEVE IMEDIATAMENTE DEMITIR-SE E ACELERAR A ALTERNÂNCIA?

A actual crise de liderança é fruto da longividade no poder do Presidente José Eduardo dos Santos, cuja imagem, velha e desgastada, reflectem não só um velho político cansado, mas também uma forma de governação desenquadrada para os tempos actuais.

Hoje em dia é comum ouvir cidadãos a reclamarem e criticarem que o Governo de José Eduardo dos Santos e do MPLA não tem criatividade, visão e projectos que esta nova Angola precisa para enfrentar as sequelas do passado e os desafios do futuro.

Os próprios quadros/militantes do MPLA defendem que o seu partido precisa se renovar, não só em projectos e ideias mas também nos quadros na liderança do mesmo, para não cair no descrédito da história.

As seguintes ocorrências servem como um indicativo para a questão em debate:

1 – IDADE E LONGEVIDADE:

Este ano 2014, o Presidente José Eduardo dos Santos completa 72 anos de idade, 35 dos quais preside o país, transformando-se mundialmente no segundo presidente a mais tempo no poder, tendo apenas a diferença de um mês com o seu homôlogo da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang. Ambos tornam-se um testemunho da veracidade do adágio popular de que “o poder corrompe”, principalmente por concentrarem em si mesmos os poderes absolutos em seus respectivos países, manipulando o sistema em prol das suas perpetuações no poder.

2 – SAÚDE DETERIORANTE:

Com mais de 70 anos de idade, o Presidente de Angola, conforme notícias, está alegadamente lutando contra um câncro da próstrata que o forçou a permanecer por cerca de 70 dias no Reino da Espanha, isto somente em 2013, especificamente entre 26 de Junho e 10 de Agosto, e do dia 9 de Novembro à 4 de Dezembro, tendo o órgão de comunicação social de Portugal, RTP, transmitido notícias de que estava internado numa clínica oncológica em Barcelona, uma informação que foi energeticamente descartada pela Casa Civil. José Eduardo dos Santos efectuou, segundo reportagens, tais visitas privadas similares em Espanha antes das Eleições Gerais em 2012 e entre 2 à 11 de Maio de 2011.

3 – IMPOPULARIDADE E IMAGEM CADA VEZ MAIS DESGASTADA:

Pondo em parte a questão de quem são os interesses de que continua a lutar, após a morte do líder da UNITA, Jonas Savimbi em 2002, José Eduardo dos Santos perdeu a grande oportunidade de se consagrar como um verdadeira arquitecto da paz porque somente a ambição pelo poder e interesses obscuros explicariam a não realização de Eleições Presidenciais no periodo entre 2002 e 2012. A Constituição, vulgo atípica, que se promulgou à 5 de Janeiro de 2010 e que concentra-lhe poderes absolutos de forma absurda, serve de base ao título de “ditador” que cada vez mais soa e se adequa à imagem de JES.

PERIGOS ACTUAIS

Num sistema democrático, a palavra “sucessão” torna-se inconstitucional porque caracteriza a monarquia, um sistema que encara o poder como herança familiar ou consoante a linhagem sanguínea. Em democracia, é adequado a referência desta transferência como “alternância” porque deve ser feita pelo voto popular e não por imposição.

Infelizmente ao que parece, José Eduardo dos Santos prefer a “sucessão”, expondo o país aos seguintes perigos:

1 – IMPOSIÇÃO E FAMILIARISMO:

Ao longo dos últimos anos, informações são vasadas e publicadas pela mídia e alegam que por questões de saúde, o actual Presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó” deixou de ser uma preferência à sucessão de JES, encurtando a lista para apenas dois dos seus familiares: seu filho Zénu dos Santos, Presidente do Fundo Soberano Angolano, e o sobrinho e actual Vice Presidente da República, Manuel Vicente.

Estas duas escolhas de JES são geralmente caracterizadas como fruto de imposições de José Eduardo dos Santos ao partido político no qual é Presidente, o MPLA.

2 – ZÉNU E VICENTE SEM PERFIS OU BAGAGENS POLÍTICAS:

As duas alegadas preferências de JES, Zénu dos Santos e Manuel Vicente, são indivíduos practicamente anônimos no panorama político Angolano, isto é, sem bagagens ou perfies políticos de peso que os possa sustentar com experiência em caso da ausência de José Eduardo dos Santos.

Em caso de ausência de JES, os seus dois preferidos não serão capazes de enfrentar os grandes jacarés políticos veteranos do MPLA, cujos olhos e corações ambicionam a cadeira principal da Cidade Alta.

Teme-se que mesmo se um destes favoritos for eleito, serão vítimas de várias ameaças, insubordinações, insultos e desconsiderações por parte de militantes de peso do MPLA que jamais aceitarão estar à baixo de um “menino” Zénu dos Santos ou dum empresário burocrata como Manuel Vicente em assuntos de directrizes do país.

A informação de que, na recente ausência de José Eduardo dos Santos, o país estava a ser dirigida “de facto” através de uma “direcção militar” pelo general Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, apesar de haver formalmente um Vice-Presidente da República, Manuel Vicente, foi um dos indicativos da actual crise de liderança e as desvantagens destas imposições de JES.

Realço que, por falta de peso político e experiência, ambos são susceptíveis à golpes de Estado por parte de elementos do próprio regime, ou serão presas fáceis para a oposição ávida de poder.

BENEFÍCIOS DA DEMISSÃO IMEDIATA E E ACELERAÇÃO DA TRANSIÇÃO

Em vista aos problemas expostos à cima, se o presidente José Eduardo dos Santos demitir-se, acelerar e mediar a alternância política em Angola, terá os seguintes benefícios:

1 – Possivelmente terá mais tempo para descansar de longos anos de política activa e poderá cuidar dos seus negócios, netos e outros familiares.

2 – Tendo em conta as notícias preocupantes da saúde degrante de JES, os efeitos da aposentadoria darão-lhe mais anos de vida, podendo assim manter sob sua protecção e vigilância o seu escolhido candidato à liderança do MPLA e de Angola, que possa defender os seus interesses.

3 – A permanência de JES na Presidência pode causar a sua morte precoce, se forem verdade as informações alarmantes da sua saúde, e um incidente do género será fatal, tanto para os seus familiares, protegidos, amigos e as suas heranças, como também poderá ser catastrófico para a realização e concretização de uma alternância pacífica e duradoura no país sem conflictos, primeiramente por dentro do MPLA e posteriormente à nível nacional.

4 – A aposentadoria de JES poderá garantir uma passagem de testemunho equilibrado e pacífico ou pode se dar o caso em que mesmo aposentado, JES, através do seu escolhido, ainda conduza indirectamente as directrizes do país.

Tendo analizado estas hipóteses, pode-se concluir que por mais que seja eminente e desejado a aposentadoria do Presidente José Eduardo dos Santos, para se evitar o pior ao país, o Presidente ainda pode desempenhar um papel fundamental na alternância de poder na República de Angola.

Pedrowski Teca

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