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Quarta, 27 Novembro 2013 14:42

Massacres em Angola

Quantos, e quantos e quantas crianças, jovens, velhos intelectuais de renome e outras não pereceram!?

Eles estão ainda vivos na memória de muitos angolanos que ao longo de dezenas de anos, viram rios de sangue a regar o asfalto negro da cor negra de negros em todas as cidades, e o capim seco do norte, do sul do leste e do oeste de Angola.

Mas um dia, quando os anos tiverem passado, quando o céu da nação estiver de novo limpo, quando os ânimos se acalmarem, quando o medo já não atormentar os nossos espíritos, começaremos então a ver a amplitude dos massacres em toda a sua pavorosa realidade, e as gerações futuras estremecerão de horror sempre que puserem os olhos nestes actos de barbarismo sem precedente na nossa História. Mas não quero me enraivecer. Preciso de clareza de espirito, de paz no meu pesado coração, para poder relatar os factos tão simplesmente quanto possível, não os dramatizando de modo algum, mas exactamente como ocorreram.

A cidade de Ekovango, Silva-Porto ou Kuito como cada leitor queira entender, durante a batalha denominada “Noventa Dias” foi fustigada indiscriminadamente por bombas lançadas por MIGs do último modelo, isto é aviões fabricados pela URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e adquiridos por MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angoal), por bombas de armas mais sofisticadas como é o caso da denominada “Muana-Kaxito” (arma de 40 anos), para além de munições de vários calibres.

Na altura os mortos eram contabilizados às centenas, e os números eram divulgados a nível nacional e internacional, porque isto constituía vitória para o MPLA e derrota da UNITA. Lá na eternidade, o imortal camarada Kussumua é testemunha, assim como os seus súbditos vivos. Muitos moradores tiveram que abandonar a cidade para as áreas ocupadas pela UNITA para escaparem duma morte certa por bombardeamento. São várias testemunhas oculares ainda vivas que podia explicar o sucedido, mas não podem e nem devem dizer nada, senão desaparecem na calada da noite. Agora que se ouvem lamento de viúvas e viúvos em todos os cantos, já não se catam vitórias; O MPLA atribui todos os bombardeamentos e as respectivas mortes a UNITA.

Será que as bombas dos MIGs e de outros tipos de aviões, dos tanques de guerra, de “Muana-Kaxito”, etc. estavam a abraçar e beijar as pessoas? E as munições transformaram-se em feijão para alimentação dos miseráveis?

 Em conversa com um amigo que fugiu da cidade do Huambo disse-me:

Nasci e permaneci sempre no Huambo, mas quando os MIGs 21, 23, 25 e os Sukhois do MPLA começaram a bombardear a cidade, na companhia de muitas pessoas, tivemos que fugir para Benguela a pé.

Agora que se ouvem lamento de viúvas e viúvos, órfãos e daqueles que perderam os seus filhos por todos os cantos, já não se cantam vitórias; o MPLA atribui os bombardeamentos e os respectivos mortos à UNITA.

Os Angolanos mesmo os do Bié, considerados como analfabetos e bestas de carga, não têm memória curta. Sabem que só uma bomba de um MIGs mata centenas de pessoas. Quantos MIGs bombardeavam a cidade por dia? Quantas bombas laçavam cada MIG por dia? O povo sabe. “Tapemos boca ao Mundo” em prol da democracia, da paz, da unidade nacional e do bem-estar de todos os Angolanos, no verdadeiro sentido das palavras.

Entre riquíssimos e paupérrimos não pode haver unidade real, mas sim o servilismo.

Onde há matança não pode existir uma paz real, mas sim “a paz dos cemitérios “ondem jazem os corpos de alguns dos nossos ante queridos, já que muitos nem sequer tiveram sepulturas. O lema da paz dos cemitérios é: “ que a tua alma descanse em paz”.

E os sobreviventes, principalmente os jovens órfãos, desamparados e sem formação, são recrutados a partir dos mercados onde pululam, para outras províncias, trabalhando nas propriedades de dirigentes burgueses ou de estrangeiros, e têm como salário “comida pelo trabalho.

Autor: Sofrimento Esperançoso

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