O problema é que raramente discutem sobre quem deve estar na linha da frente, mas sobre tudo saber para onde é que vão. A oposição em Angola vive exatamente esse dilema: discute com paixão platónica a vontade de ser governo, mas continua a evitar o essencial — o caminho, o rumo e a direcção que querem dar ao país. Não lhe faltam vozes, discursos ou figuras públicas. E aqui surge um outro contrasenso.
A oposição continua à procura de um líder milagroso, igual ou melhor do que o Roque Santeiro, personagem de destaque de uma conceituada telenovela brasileira dos anos 80, ao invés de uma ideia mobilizadora e credível de governação.
Falta-lhes um conceito claro, uma ideia estruturada de país que vá além do desejo legítimo de alternância. Porque alternância não é apenas mudar de motorista ao volante; é assumir, com responsabilidade, o que vem depois da vitória.
Há um outro drama, senão o maior drama que a oposição vi ve hoje em toda a sua história. Falam de forma propalada em for mar uma coligação política, com desejo único partilhado de somente derrotar o MPLA nas urnas.
Mas coligações, que na politica surgem de forma cirúrgica e ciclicamente, não são atalhos mágicos. São construções políticas complexas que exigem base comum, visão partilhada e compromissos claros.
Sem isso, tornam-se apenas uma soma de vontades momentâneas, semelhante à ponte que cai antes mesmo de ser atravessada. Claro que há um entusiasmo compreensível em torno da mudança, mas entusiasmo sem uma base consensual assertiva é como correr até ao fundo de um túnel escuro acreditando que a luz vai surgir depois, quer de forma automática ou instantânea.
Enfim, não é a ausência de erros do MPLA que explica a sua resiliência eleitoral, é acima de tudo a fragilidade conceptual da alternância apresentada por uma oposição de "matete". Talvez esteja aí o verdadeiro de safio da oposição: menos disputa por quem segura a lanterna e mais consenso sobre para onde a lanterna deve estar apontada e focada. Porque sem luz no fundo do túnel, não há saída apenas movimento.
Por Nzongo Bernardo dos Santos

