Domingo, 05 de Fevereiro de 2023
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Sexta, 13 Janeiro 2023 10:00

Mudar ou permanecer?

Alguns comentários ao comentário do jornalista Nelson Sul de Angola, a passagens do livro de memórias de José Guerreiro, antigo PCA da então única TPA, que, por coincidência, foi um dos três livros que recomendei aqui, no dia 30 de Dezembro, para as leituras de fim de ano, inspiraram-me esta pergunta na epígrafe deste texto: mudar ou permanecer?

Não me refiro, obviamente, à maioria de comentários que considero racionais, que revelam a indignação com que muitos de nós observamos, com muita tristeza, a atitude de um novo PR, que prometeu, em 2017, a maior das liberdades de imprensa e expressão (contra a bajulação e o “ordens superiores” que ele parecia desconhecer) mas que decorridos alguns meses passa a controlar (ele próprio e sua estrutura auxiliar secreta ou escancaradamente aberta) o dia a dia do que vai sair e como vai sair em cada notícia ou artigo, nos media públicos e não só, num país que nos dizem ser democrático e de direito.

Refiro-me, naturalmente, a posições que parecem defender a ideia do “porquê estragar isso, se está tão bom, até porque estes ‘guerreiros’ só falam agora porque foram enxotados do prato em que bem se serviram?” Algumas saídas do mestre da crónica, o grande Salas Neto, por vezes levam-me integrá-lo, lamentavelmente, neste grupo de posições. Ou será ironia corrosiva?

Refiro-me também àqueles que acham que ‘guerreiros’ e ‘mocos’ perderam, para sempre, o direito à palavra condenatória do que se  está a passar hoje – no presente – porque foram ou são ‘comunistas’, de quem se não deve apagar o pecado original.

E assim se inibe muita gente experiente a contribuir para uma mudança positiva, retendo-a num conservadorismo comodista. E isso é consolidado com mentiras que são colocadas na boca de respeitáveis anciãos como Lopo do Nascimento, do tipo “ele disse que João Lourenço é o nosso Nelson Mandela”. Pudera!

Coisas da mesma máquina e, especialmente, das mesmas pessoas que elevaram o nome de JES a categoria de uma divindade. Mas que também podem mudar para salvarmos o futuro deste país.

Mudar é necessário, começando por mudar as atitudes de forma convincente. Permanecer como estamos, não.

Acho que o livro de memórias de José Guerreiro é uma boa contribuição, para dentro e também para fora do MPLA.

Por Marcolino Moco

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