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Segunda, 20 Junho 2022 10:34

A expectativa sobre a apresentação das grandes ideias e os debates

Talvez seja prematuro fazer já agora críticas ao desenrolar da campanha. As equipas de campanha podem estar numa fase equivalente ao que em futebol é designado por estudo mútuo. E esta fase é de certo modo incaracterística.

Por Ismael Mateus

Em termos práticos começamos todos a sentir uma certa impaciência já que se adivinhava que a pré-campanha servisse para antecipar a apresentação das grandes ideias, mas agora, conclui-se que isso só deve ocorrer durante a campanha eleitoral dentro de um mês.

Se por um lado, tanto o afrouxar estratégico como o estudo são compreensíveis, talvez denotem também um deficiente planeamento estratégico da pré-campanha que não teve em conta uma certa ansiedade por novas propostas.

Tanto a aspirante UNITA como o MPLA, da situação, precisam de apresentar novas ideias e convencer o eleitorado sobre o que trazem de novo e o que prometer fazer de diferente. Também não se pode minimizar a experiência política e de processos eleitorais que essas máquinas partidárias possuem, o que nos leva a redobrar os cuidados e evitarmos ser tão taxativos. O que nos parece insuficiente planificação pode afinal ser uma estratégia pensada e calculada.

Ainda assim, alguns sinais. O primeiro vem da UNITA que apresentou propostas aparentemente contraditórias com o que sempre foi defendido. O exemplo mais flagrante é a proposta das autonomias administrativas a Luanda e Cabinda, quando a UNITA sempre se bateu por autarquias em todo o país. Em vez de esclarecer, a proposta das autonomias cria confusão, não se sabendo ao certo se ela reconhece que as autarquias não terão lugar dentro em breve ou se se trata de uma terceira via.

No caso do MPLA, a estratégia parece ser o da realização de novas promessas viradas essencialmente para obras de betão.

Apesar da importância das grandes obras, há um interesse generalizado em saber o que muda e o que o partido maioritário propõe de novo nas áreas ou temas mais sensíveis da sociedade, como corrupção, saúde, educação, cultura e transparência nos negócios. O mesmo se pode dizer em questões que estão no primeiro plano das preocupações políticas, como sejam a realização das autarquias; o aumento do emprego; o aumento das oportunidades para os cidadãos angolanos e maior transparência na distribuição da renda.

Sem dúvida que também há interesse em saber se haverá ou não um ou mais debates nacionais entre os candidatos. Muitas vozes têm defendido a necessidade de realização de debates, ou é uma decisão estratégica que deve ser avaliada por cada candidatura.

Obviamente a UNITA como pretendente já declarou disponibilidade para o debate, mas da parte do MPLA não é obvio que haja interesse num programa desta natureza.

Também há curiosidade em relação às áreas chamadas marginais, como Cultura, Desporto, Indústria, Ambiente e Ensino Superior. Até ao momento, ninguém sabe ao certo o que os grandes partidos pensam e é provável que incluam ideias nos programas de Governo, mas não se criem momentos de esclarecimento das populações.

Outro ponto pouco claro é a chamada inclusão. A UNITA diz defender um Governo inclusivo, mas tudo indica que os dois maiores partidos vão integrar sim pessoas da sua esfera política.

Depois de apresentadas as listas ao Tribunal Constitucional poderemos avaliar com mais detalhe, mas para a realização dos dias de hoje, não se vai concretizar verdadeiramente a ideia de uma inclusão de independentes, leia-se pessoas não alinhadas com o pensamento do partido proponente. Os que se apresentam como independentes, há muito são figuras da esfera política desses partidos, mesmo que não sejam seus dirigentes, logo são pessoas da mesma família política e não independentes. O mais provável é que, desperdiçada a pré-campanha, acabe não restando tempo suficiente na campanha para a discussão e a auscultação das propostas desses partidos em relação a tantos pontos esperados.

Sejamos pacientes. Vamos esperar. JA

 
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