Domingo, 19 de Setembro de 2021
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Quarta, 01 Setembro 2021 10:32

O Dia de Reflexão Profunda: MPLA tornou-se «fraude eleitoral» lei

Existe uma expressão popular em português que diz: “não chorar sobre o leite derramado,” ou seja, “não adianta chorar sobre o leite derramado.” Em Inglês diz que: “there’s no use crying over split milk.” Este adágio popular ensina-nos que, se o mal aconteceu, em vez de reclamar, lamentar, chorar ou frustrar-se; pelo contrário, deve-se ponderar profundamente para fazer face aos grandes desafios, para que sejam superados e vencidos.

Por Deputado Carlos Tiago Kandanda

O meu pai Linangua ensinava-me que: faz o bem (linga vuino), e não faz o mal (kethi ulinge vuvi). A lógica do meu pai era de que, nunca deve associar-se a tudo que estiver mal, afasta-se, não esteja presente, para não ser confundido com o Diabo. Eu sempre mantive este princípio sábio, que ficou incutido na minha mente desde infância. Por isso, de modo sereno, hoje estou em minha casa, em reflexão profunda.

Esta introdução tem a ver com o dia de hoje em que o Grupo Parlamentar do MPLA está a aprovar cobardemente duas Leis fundamentais que alteram todo o cenário do processo eleitoral. A partir de hoje a «fraude eleitoral» se tornou a lei, fica formalmente consagrada, deixando a contagem, o escrutínio e o apuramento do pleito eleitoral à merce do partido no poder, que controla todos os Aparelhos do Estado, inclusive os Tribunais, o CNE, a maquina administrativa, o sistema informático (softwares e hardwares) e os recursos humanos, que são compostos exclusivamente por militantes do MPLA.

O apuramento nos Municípios e nas Províncias permitiam controlar de perto os resultados das assembleias de votos, para apurar os resultados de cada Município e de cada Província (como circulo eleitoral) que elege Cinco Deputados. Quem conhece bem Angola sabe que, há localidades remotas, de difícil acesso, e sem a rede das telecomunicações. Como que os Partidos da Oposição, sem recursos, vão conseguirem transmitir os dados das assembleias de votos, espalhadas pelas aldeias, no tempo record, para Luanda? Todos sabemos como isso funciona. Logo, onde estará a transparência e a lisura do processo eleitoral?

Todavia, o essencial neste momento não é chorar sobre o leite derramado, porque tudo já está feito. O MPLA tem a maioria qualificada, mais de dois terços de assentos parlamentares. Mesmo fazer barulho, mas no acto de votação, com a sua maioria passa por cima, e impõe a sua vontade política. O chamado: «ditadura da maioria.” Portanto, o que é premente e imperativo neste momento, é como combater este esquema de fraude que está erguido? Isso é que deve-nos preocupar a todos, sobretudo a Sociedade Civil e a Juventude, esta última, que tem a maior responsabilidade de defender a Pátria.

No tempo colonial, nós Jovens daquela época, sentimos a responsabilidade de enfrentar o regime colonial, tão poderoso, com um Exército bem armado. Mas, imbuídos do espirito patriótico, e com a entrega total, com coragem, com sabedoria, com prudência, com determinação e com armas rudimentares, como catanas, arcos, zagaias, flechas, lanças e mufukas, tivemos que enfrentar decisivamente o poder colonial português, que teve que abandonar o país em debandada, como os norte-americanos acabaram de ser humilhados no Afeganistão.

Uma coisa mexeu profundamente com o meu coração ao entrar em contacto com a dissertação recente do Dom Francisco Viti, ao Jango Cultural do Huambo, na qual ele disse aos Jovens, cita:

«A juventude é prudência do país; a independência verdadeira é a liberdade, responsabilidade e competência; e isso não é prenda dos partidos políticos; o povo tem de ter maturidade de exigir pacificamente as promessas dos políticos; passividade demais não serve até na igreja». Fim de citação.

Penso que, este trecho, tão profundo, do Mais Velho Francisco Viti, diz tudo, basta cada um de nós refletirmos profundamente para descortinarmos o caminho viável e eficaz para combater decisivamente o esquema da fraude eleitoral ora proclamada solenemente na Assembleia Nacional. Repare que, a «Ditadura» é um facto evidente no País. Por isso, a liberdade nunca cairá do Ceu como Maná, é uma conquista que exigem muito trabalho e muito sacrifício. Agora, mãos à obra!

Luanda, 01 Setembro de 2021. 

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