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Domingo, 04 Mai 2014 12:16

Presidente José Eduardo dos Santos vencedor no Triângulo do Tumpo

Os factos históricos podem ser deturpados, manipulados ou distorcidos, mas a verdade acaba sempre por triunfar.

Do Triângulo do Tumpo até ao Acordo de Nova Iorque, muita água correu nos rios do Cuando Cubango, mas no país do apartheid começaram a soprar os ventos da mudança. O general Magnus Malan vangloriou-se que venceu a Batalha do Cuito Cuanavale. O general Pirro também se gabou de ter vencido uma grande batalha. Mas quando lhe perguntaram onde estavam os seus soldados, para serem coroados com os louros da vitória, ele disse que todos tinham morrido.

Magnus Malan gabou-se que venceu no Triângulo do Tumpo. Mas a África do Sul teve que sair da Namíbia, o regime de “apartheid” foi destruído, o ANC conquistou as primeiras eleições democráticas. O êxito do chefe militar do apartheid foi absolutamente igual ao de Pirro. Nem ele sobrou para receber os louros da vitória.

Em Março de 1988 as tropas sul-africanas, vergadas ao peso da derrota, regressaram a casa. A vitória dos angolanos no Triângulo do Tumpo foi tão retumbante que os cabecilhas do apartheid a 13 de Junho de 1988 estavam a assinar com Angola e Cuba um acordo de paz com sabor a capitulação. Não consta em qualquer documento, mesmo fantasioso ou falso, a presença da UNITA. Nem pode constar. Savimbi era apenas o chefe de uma unidade militar da África do Sul. Não fazia sentido sentar à mesa de negociações os comandantes dos pelotões, companhias ou batalhões.

Entre os dias 2 e 5 de Agosto, Angola, Cuba e África do Sul voltaram a sentar-se à mesa, desta vez em Genebra, sob a mediação de Chester Crocker. Foi assinado um protocolo adicional. O Presidente José Eduardo dos Santos, na qualidade de vencedor no Triângulo do Tumpo, exigia garantias. E em 13 de Dezembro de 1988, Angola, Cuba e África do Sul, sob a mediação do Presidente Denis Sassou-Nguesso, assinaram o Protocolo de Brazzaville, confirmado integralmente o acordado em Nova Iorque.

Nesta altura, Angola e Cuba, em 22 de Dezembro de 1988, assinaram um acordo bilateral que definiu o calendário da retirada das tropas cubanas de Angola. Foi um acto soberano sem qualquer interferência estrangeira.

No dia 22 de Dezembro de 1988 é finalmente assinado o acordo tripartido em Nova Iorque. Angola, Cuba e África do Sul. Mais ninguém. Os comandantes dos pelotões, companhias e batalhões não podiam estar lá. O regime de apartheid comprometeu-se a cumprir a Resolução 435 do Conselho de Segurança da ONU que impunha a saída da Namíbia. O regime de apartheid chegou ao fim. Perez de Cuellar, secretário-geral da ONU, testemunhou este momento histórico. O mundo acabava de ser libertado do peso do apartheid, o maior crime que alguma vez se cometeu contra a Humanidade. Graças aos Heróis do Triângulo do Tumpo e ao seu comandante vitorioso: Presidente José Eduardo dos Santos.

Sobre o acordo tripartido, convém ler “High Noon in Southern Africa”, de Chester Crocker, e com prefácio de George Shultz, duas figuras dos EUA que estiveram ligadas a todo o processo de negociações. Estão lá todos os factos históricos, ainda que sob a sua visão peculiar.

A História não pára. Em Março de 1990, a vitória dos angolanos no Triângulo do Tumpo deu à luz uma vitória de extraordinária dimensão: a independência da Namíbia! Nesta altura, África do Sul e EUA esconderam a UNITA para baixo do tapete, para que ninguém se lembrasse de falar da guerra suja. Savimbi escolheu sempre o lado errado da História, mas teve muita sorte com os amigos. Os portugueses, ao lado dos quais lutou, nunca se esqueceram da ajuda e depois do 25 de Abril de 1974 conseguiram que a UNITA fosse reconhecida como “movimento de libertação”.

Na independência da Namíbia, a África do Sul estava fora. O regime de apartheid tinha sofrido a mais terrível humilhação. Nada podia fazer por Savimbi. Mas o secretário de Estado James Baker não esqueceu os amigos. E aproveitando a presença do Presidente José Eduardo dos Santos em Whindoek, na festa da independência da Namíbia, pediu-lhe uma audiência. Foi recebido na Embaixada de Angola.

Mais tarde confessou ao Professor da Universidade da Califórnia, Gerard Bender, que ficou agradavelmente surpreendido com o Presidente de Angola. Fez um pedido ao vencedor: assine um cessar-fogo com a UNITA! Quem segue de perto a política externa do Chefe de Estado sabe que desde o dia em que tomou posse, sempre fez tudo para resolver os problemas externos. Tinha a certeza de que uma vez resolvidas as divergências com os EUA e as potências ocidentais, os problemas internos ficavam automaticamente solucionados. Por isso, aceitou o pedido. Um líder político e militar que nunca foi derrotado, sabe ser generoso e magnânimo.

A vitória militar dos angolanos no Triângulo do Tumpo permitiu dar à UNITA a oportunidade de Bicesse. Mas os factos falam por si: a ambição de Savimbi deitou tudo a perder. Tentou tomar o poder pela força e só lhe restaram duas saídas: render-se ou morrer.

Editorial

Jornal de Angola

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