Quarta, 06 de Mai de 2026
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Quarta, 06 Mai 2026 13:15

João Lourenço assume: relações com Gabão aquém do esperado

O Presidente da República, João Lourenço, defendeu, esta quarta-feira, em Luanda, a necessidade de se imprimir maior dinamismo e revitalizar a cooperação bilateral entre Angola e o Gabão, com vista à sua adequação às potencialidades existentes e aos desafios actuais de desenvolvimento.

Ao intervir na abertura das conversações bilaterais entre os dos governos, no quadro da visita de três dias do seu homólogo gabonês, Brice Clotaire Oligui Nguema, o Chefe de Estado angolano reconheceu que as relações entre os dois países ainda não atingiram o nível desejado, apesar dos laços históricos e da cooperação mantida ao longo dos anos.

Neste sentido, apontou a necessidade de reforçar a implementação do Acordo Geral de Cooperação Cultural, Científica e Técnica, assinado em 1982, bem como de outros instrumentos jurídicos, com o objectivo de elevar o intercâmbio bilateral.

João Lourenço considerou que a visita de Estado do Presidente gabonês constitui uma oportunidade para impulsionar uma nova fase das relações, assente em acções concretas e na assinatura de novos acordos que favoreçam o desenvolvimento recíproco.

O estadista sublinhou que Angola e Gabão devem transformar os laços históricos e fraternos em oportunidades estratégicas, capazes de promover o crescimento económico, o bem-estar das populações e a integração regional.

Por isso, o Presidente da República advogou, igualmente, a realização, em Luanda, da terceira sessão da Comissão Mista Bilateral, enquanto mecanismo fundamental para o acompanhamento das iniciativas conjuntas.

No plano continental, João Lourenço reafirmou o compromisso com a União Africana e com a implementação da Agenda 2063, a julgar pela importância da mobilização de investimentos internacionais para projectos estruturantes.

Referiu ainda o papel do Gabão no Comité Directivo da Agência de Desenvolvimento da União Africana (AUDA-NEPAD) e sugeriu maior coordenação entre os países africanos.

João Lourenço reiterou que o desenvolvimento de África depende da conjugação de esforços entre os Estados, com base na paz, estabilidade e segurança, bem como na promoção dos direitos humanos e das liberdades democráticas.

Destacou, por outro lado, o papel dos dois países na promoção da paz e segurança no continente, com acções no quadro da Comunidade Económica dos Estados da África Central e da Comissão do Golfo da Guiné.

Brice Clotaire Oligui Nguema visita desde a manhã desta quarta-feira o país, com o foco no reforço da cooperação.

No início da agenda, deslocou-se à Praça da República, onde prestou homenagem ao Primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, com a deposição de uma coroa de flores no sarcófago.

Seguiram-se as cerimónias oficiais no Palácio Presidencial, incluindo um encontro em privado entre os dois Chefes de Estado, alargado depois às delegações, no quadro das conversações bilaterais.

O ponto alto da jornada aconteceu com a assinatura de acordos de cooperação em diversos domínios.

A agenda do primeiro dia inclui ainda um almoço oficial oferecido por João Lourenço e uma deslocação à Assembleia Nacional.

No segundo dia da visita, quinta-feira, Brice Clotaire Oligui Nguema visita a Refinaria de Luanda, numa demonstração do interesse do Gabão em aprofundar a cooperação no sector petrolífero.

O programa contempla igualmente uma deslocação à Escola Superior de Guerra das Forças Armadas Angolanas, bem como a participação num fórum empresarial, no Hotel EPIC SANA, que deverá reunir operadores económicos dos dois países.

Na sexta-feira, último dia da visita, estão previstas as cerimónias oficiais de despedida no Palácio Presidencial, seguindo-se o regresso do estadista ao seu país.

As relações entre Angola e o Gabão remontam a 1975 e assentam no Acordo Geral de Cooperação, reforçado com a criação da Comissão Mista Bilateral, em 1982, em Libreville.

No plano político-diplomático, os dois países mantêm consultas regulares e concertam posições em fóruns regionais e internacionais, com destaque para a Comunidade Económica dos Estados da África Central, onde partilham objectivos de estabilidade, segurança e integração.

A cooperação abrange sectores estratégicos como petróleo e energia, agricultura e florestas, minas, indústria e comércio, transportes marítimos e logística, além da educação, cultura, saúde, juventude e desporto.

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