Domingo, 03 de Dezembro de 2023
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Terça, 26 Setembro 2023 16:11

Frelimo quer "mudança profunda" na gestão autárquica

O presidente da Renamo, maior partido da oposição moçambicana, afirmou hoje que a população deseja que as eleições autárquicas de 11 de outubro sejam as primeiras "sem fraude eleitoral", mas acusou a Frelimo de "esquemas da manipulação".

"Apelamos a todos os moçambicanos a manter a vigilância e a denunciar qualquer ato que visa manipular as eleições e promover a fraude eleitoral. A bem da nação, somos por uma campanha ordeira, pacífica e somos por eleições livres, justas, transparentes e limpas. Os moçambicanos almejam que pela primeira vez realizemos eleições sem fraude eleitoral", declarou Ossufo Momade, no arranque da campanha eleitoral para as eleições autárquicas.

O presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) afirmou que a "vontade coletiva" é que estas eleições autárquicas decorram "sem sobressaltos", mas "que sejam livres, justas, transparentes e limpas".

"Infelizmente, contra a corrente desta vontade coletiva, o partido Frelimo não desiste do seu comportamento antidemocrático", acusou, retomando a crítica ao anterior processo de recenseamento eleitoral.

"Assistimos à manipulação do processo desde o impedimento de inscrição de eleitores, discriminação na base da cor político-partidária até a realização de recenseamento eleitoral paralelo nas casas dos secretários dos grupos dinamizadores. Lamentavelmente a Frelimo não desarma dos esquemas da manipulação e da fraude eleitoral. Nesta senda, segundo informações em nosso poder, recrutou cidadãos residentes em distritos não autárquicos para alocar nas mesas de votação nas próximas eleições", acusou hoje Ossufo Momade.

"Exemplo disso é o caso dos indivíduos saídos do distrito de Lugela para a cidade de Quelimane, na província da Zambézia, para fazerem parte das Mesas de Votação, ocupando posições de relevo, como as de presidente da Mesa de Votação", denunciou ainda o líder da Renamo, apontando nomes.

Estas sextas autárquicas são a primeira eleição multipartidária em Moçambique após a completa desmilitarização da Renamo, concluída em junho passado com a desativação da última base guerrilheira.

"De igual modo", prosseguiu o líder da oposição, "há um plano de recrutar supostos Observadores Eleitorais, em número de mais de 7.000", mas que "na verdade são membros do partido Frelimo".

Estes "terão como missão fazer o enchimento de urnas nas autarquias de Cuamba, Nampula, Milange, Alto Molocué, Quelimane, Beira e Matola", acusou, atribuindo à Frelimo um comportamento de "autêntica negação da Democracia e do desiderato nacional" de o país viver "definitivamente em paz".

A começar esta campanha eleitoral, que prossegue até 08 de outubro, o presidente do maior partido da oposição exortou a Frelimo a "abastecer-se" de "artifícios que perigam a paz e promovem o descontentamento nacional".

"Exortamos aos cidadãos que se deixam manipular e asseguramos que deverão assumir as consequências dos atos que irão praticar e os moçambicanos os têm bem identificados", avisou Ossufo Momade.

Mais de 11.500 candidatos de 11 partidos políticos, três coligações de partidos e oito grupos de cidadãos iniciam às 00:00 de terça-feira a campanha eleitoral para as autárquicas moçambicanas de 11 de outubro, por entre apelos a um processo pacífico.

Moçambique está a iniciar um novo ciclo eleitoral, que além de eleições autárquicas no próximo mês prevê eleições gerais em 09 de outubro de 2024, nomeadamente com a votação para o novo Presidente da República, cargo ao qual o atual chefe de Estado, Filipe Nyusi já não pode, constitucionalmente, candidatar-se.

Mais de 8,7 milhões de eleitores moçambicanos estão inscritos para votar nas sextas eleições autárquicas, abaixo da projeção inicial, de 9,8 milhões de votantes, segundo dados anteriores da CNE.

Os eleitores moçambicanos vão escolher 65 novos autarcas em 11 de outubro, incluindo em 12 novas autarquias, que se juntam a 53 já existentes.

Nas eleições autárquicas de 2018, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder) venceu em 44 das 53 autarquias e a oposição em apenas nove - a Renamo em oito e o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) em uma.

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