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Domingo, 13 Novembro 2022 12:30

Angola reforça apelo a solução política para tensões entre Ruanda e RDCongo

Angola reforçou o apelo a uma solução política para ultrapassar tensões entre o Ruanda e a República Democrática do Congo, com o Presidente angolano a reunir-se pessoalmente com os seus homólogos, nos dois países, a quem apresentou “propostas concretas”.

O anúncio foi feito no sábado pelo ministro das Relações Exteriores de Angola, Téte António, no final de um encontro de João Lourenço com o seu homólogo congolês, Félix Tshisekedi, em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo (RDCongo).

No dia anterior, o Presidente angolano tinha estado reunido em Kigali (Ruanda) com o seu homólogo ruandês, com o mesmo objetivo, tendo regressado a Luanda no sábado à noite.

Citado pelo Jornal de Angola, o chefe da diplomacia afirmou aos jornalistas que “todos concordam que o Roteiro de Luanda é a saída política” indicada.

Sem querer detalhar as discussões que decorrem entre Kigali e Kinshasa, Téte António adiantou que o chefe de Estado angolano apresentou “propostas concretas para as partes analisarem no momento apropriado e verem como podem avançar”.

João Lourenço, mandatado pela União Africana, tem estado a levar a cabo um processo de mediação para pôr termo aos conflitos entre a RDCongo e o Ruanda e restabelecer a paz no leste da RDCongo, que vive um agudizar da rebelião armada desde finais de 2021.

Segundo a agência de notícias angolana, Angop, as alterações verificadas no terreno com o agravamento da tensão entre os dois países levaram Angola a propor uma readaptação da metodologia prevista no Roteiro de Luanda para a Paz, adotado durante uma cimeira tripartida realizada na capital angolana em junho deste ano, visando impulsionar a sua implementação.

Ainda no quadro deste instrumento, Téte António confirmou ter apresentado, na quarta-feira, em Goma, capital da província oriental congolesa do Kivu do Norte, o general angolano que vai liderar o Mecanismo de Verificação Ad-Hoc do processo de paz na região leste da RDCongo.

Trata-se do tenente-general Nassone João, cuja equipa terá, entre outras atribuições, apurar no terreno a veracidade das acusações reciprocamente levantadas pelas partes para melhor identificar as soluções apropriadas, refere a agência noticiosa angolana.

A Presidência da República de Angola adianta, na sua página de Facebook, que “iniciativas diplomáticas vão continuar a ser desenvolvidas em torno da crise de segurança que se instalou no Leste da República Democrática do Congo, com acusações mútuas entre Kigali e Kinshasa”.

Angola e Ruanda fazem parte da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL), da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) e da União Africana (UA), e têm uma relação próxima.

As tensões estão relacionadas com a atividade do movimento armado M23 no nordeste da RDCongo, que Kinshasa afirma ser apoiado por Kigali.

O Ruanda tem reiteradamente negado as acusações e acusa, por sua vez, a RDCongo de apoio a outro movimento rebelde, as Forças Democráticas de Libertação de Ruanda (FDLR), numa crise alimentada pelo avanço consolidado do M23 nalgumas áreas da província Kivu do Norte, que culminou no início de novembro com a expulsão do embaixador ruandês em Kinshasa, Vincent Karenga.

O M23 é acusado desde novembro de 2021 de realizar ataques contra posições do Exército da RDCongo em Kivu do Norte, sete anos depois de as duas partes terem alcançado uma trégua.

Novas negociações de paz na RDCongo a partir de 21 de novembro em Nairobi

As negociações de paz relativas à situação na República Democrática do Congo, palco de confrontos de vários grupos armados, devem começar em 21 de novembro em Nairobi, anunciou hoje a Comunidade dos Estados da África Oriental (CEA).

Uma recente ofensiva do grupo M23, antiga rebelião tutsi, que recuperou o uso das armas no final de 2021, viu um grupo avançar em direção a Goma, capital da província de Kivu do Norte, com mais de um milhão de habitantes, e está a alimentar as tensões entre a República Democrática do Congo (RDCongo) e Ruanda. Kinshasa acusa Kigali de apoiar o M23, o que é negado pelas autoridades ruandesas.

“A próxima de sessão de diálogo de paz sobre a situação no leste da RDCongo está prevista para acontecer em 21 de novembro em Nairobi”, capital do Quénia, anunciou a CEA, num comunicado publicado na rede social Twitter, sem especificar quem são os participantes.

A nova violência do M23 provocou uma tensão renovada entre a RDCongo e Ruanda, acusados por Kinshasa, desde o início do ano, de apoiar ativamente esta rebelião.

As iniciativas diplomáticas multiplicam-se na tentativa de resolver o conflito. O presidente de Angola, João Lourenço, que preside à Conferência Internacional das Regiões dos Grandes Lagos, encontrou-se na sexta-feira com o seu homólogo ruandês, Paul Kagamé, e, no sábado, com o chefe de Estado congolês, Félix Tshisekedi.

O facilitador pela paz no leste da RDCongo da CEA, o ex-presidente queniano Uhuru Kenyatta, e o Presidente do Burundi, Evariste Ndayishimiye, chegaram hoje a Kinshasa para uma visita de dois dias.

Os primeiros soldados quenianos chegaram a Goma no sábado integrados numa força regional da África Ocidental. O Parlamento do Quénia aprovou na quarta-feira o envio de 900 soldados para o leste da RDCongo, que, há quase três décadas, é atormentado por ataques de grupos armados.

Um relatório confidencial da ONU, consultado em agosto pela agência France Presse, aponta para o envolvimento de Ruanda com o M23. Os líderes americanos também mencionaram a ajuda do exército ruandês ao M23.

Kigali nega e acusa a RDCongo, que também nega, de conluio com as Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda, um movimento de rebeldes hutus ruandeses, alguns dos quais envolvidos no genocídio dos tutsis, em 1994, no Ruanda.

Segundo a ONU, os recentes combates provocaram 188.000 deslocados.

Há exatamente 10 anos, em novembro-dezembro de 2012, os rebeldes do M23 ocuparam Goma durante 10 dias, antes de serem derrotados no ano seguinte pelo exército congolês e pelas forças da paz.

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