Sexta, 10 de Abril de 2020
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Domingo, 16 Fevereiro 2020 10:25

"Não se pode chegar ao ponto de se ouvir dizer que no tempo de JES roubavam, mas estávamos melhor"

Alexandre Correia da Silva é fundador e presidente da Associação Angola Macau. Olha com alguma preocupação para a situação económica e social no país onde nasceu e viveu a infância e adolescência e onde regressa regularmente.

Relativamente ao escândalo Isabel dos Santos, defende que o responsável é o ex- presidente Eduardo dos Santos que assinou os despachos que permitiram o enriquecimento dos filhos.

-João Lourenço representa uma novidade nas relações de Angola com a China. Quão diferente é Lourenço de José Eduardo dos Santos?

Alexandre Correia da Silva - A China foi mudos primeiros países a ser visitado pelo presidente João Lourenço confirmando as boas relações existentes entre os dois países. Acontece que o Governo de Angola tem uma conceção diferente do anterior sobre a forma como deve ser apoiado financeiramente. No Governo anterior apoio financeiro internacional assentava na obtenção de linhas de crédito dos países financiadores, como era o caso da China, de Portugal e do Brasil, que foram os principais financiadores.

Está sistema tinha a vantagem de não exigir a Angola quaisquer contrapartidas políticas, mas tinha o inconveniente de exigir garantias de pagamento pela venda em condições mais favoráveis de muitas das nossas matérias primas. Por outro lado, os empréstimos eram para pagamento às empresas do financiadores que na maioria ia das vezes construíam com má qualidade não formavam quadros e sobrevalorizavam custos corrompendo técnicos e dirigentes.

Para por fim ao ciclo de corrupção criado por esse sistema o Sr. Presidente abriu negociações com o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial para obter financiamentos que ajudassem na diversificação económica. São conhecidas as restrições que aquelas o instituições impõem. Se por um lado se reduz a dívidas se com até se combate a corrupção, por outro lado a pobreza aumenta, a classe média está a ser esmagada e começa a desaparecer e Isto tem inconvenientes sociais.

Isso já está a acontecer?

A. C. S. - Sim. Isso da democracia é importante para a intelectualidade, para as pessoas com consciência cívica e para os países onde não há fome e onde a maioria das crianças não morre antes de chegarem aos cinco anos de idade. Mas quando aumenta o desemprego, a fome e a inflação pode estar-se a caminho de problemas sociais graves.

João Lourenço desencadeou uma luta séria contra a corrupção e neste momento tem de enfrentar : um movimento mais ou menos extremista que defende que todos os anteriores governantes devem ser presos e a quem deve ser tirado todo o dinheiro que roubaram ao Estado e outra que diz que alguma dessa gente corrupta criava emprego no país, à custa da corrupção, por isso devem só devolver o dinheiro. A luta contra a corrupção é um facto, sendo preciso definir o volume e como se vai fazer agora com essas pessoas. Depois temos o problema económico. O pão nosso de cada dia. Alimentação, escolas e hospitais. O não funcionamento dessas instalações é um grande riso para a governação de Angola.

- Entretanto rebentou o escândalo do Luanda Leaks....

A. C. S. - Só para os consultores portugueses e alguns estrangeiros que não saberiam de onde vinha o dinheiro de Isabel dos Santos. Toda a gente sabia de onde vinha o dinheiro. Os ratos já saltaram do barco que está a ir ao fundo. Toda a gente está contente com a decisão do Governo de Luanda de ir atrás dos abusos financeiro dos filhos do presidente Eduardo dos Santos. O responsável é o anterior presidente, porque os despachos eram dele. Há que evitar que a sociedade se divida ou mesma parta em relação a este assunto. Não se pode chegar ao ponto de se vir a ouvir pessoas a dizer que no tempo de Eduardo dos Santos roubavam, mas estávamos melhor.

- A Associação Angola Macau está a completar quinze anos de existência. Que função tem tido?

A. C. S. - É uma pequena associação que teve um momento mais ativo quando o número de estudantes em Macau era mais significativo, mas há muito poucos estudantes angolanos em Macau. Somos cerca de 50 cidadãos angolanos em Macau. Continuamos reunir e temos agora um novo Cônsul Geral de Angola em Macau. Plataforma Media

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