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Terça, 04 Fevereiro 2020 12:52

Luanda Leaks: Antigo dirigente federal defende interrogatórios no Congresso americano

Um antigo dirigente federal dos Estados Unidos Malik Chaka defendeu a "organização de audiências" sobre Angola pelo Congresso norte-americano e o departamento de Justiça a “auxiliar os angolanos”, no âmbito do caso ‘Luanda Leaks’.

O antigo diretor da agência federal dos EUA para ajuda externa Millennium Challenge Corporation (MCC) Malik Chaka falava, na segunda-feira, em Washington, numa palestra organizada pelo Instituto de Política Mundial sobre corrupção e democracia em Angola, e durante a qual levantou a hipótese de sanções por parte dos EUA a indivíduos angolanos.

“Espero que o Congresso norte-americano e as respetivas comissões organizem interrogatórios e audiências, porque estas informações têm de ser espalhadas e difundidas cada vez mais, para se tornarem um tema aqui também”, disse Chaka, antigo membro da subcomissão para África na Câmara dos Representantes dos EUA.

“A questão é o que irá fazer o departamento de Justiça para auxiliar os angolanos a encontrar mais informação”, disse, sublinhando tratar-se de uma “questão crítica e importante”.

Jornalista em Angola durante várias décadas e produtor de conteúdos e ‘newsletters’ sobre o país africano, Malik Chaka considerou as hipóteses de a administração norte-americana impor sanções a pessoas “ligadas ao Governo angolano”.

“Com base nas informações desta investigação, parece-me que há indivíduos ligados ao Governo angolano que deviam ser consideradas ‘persona non grata’ nos Estados Unidos e serem proibidas de entrar, como, por exemplo, Isabel dos Santos”, afirmou, sem especificar mais nomes.

“Os dirigentes são muito rápidos a imporem sanções nos dias de hoje. Vão existir sanções dos EUA que resultem dos ‘Luanda Leaks’”, questionou Malik Chaka, perante um público composto por representantes de organizações, académicos e funcionários federais.

Chaka também mostrou interesse no impacto em Angola da investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas, dizendo que poderá vir a ter “impacto nas eleições autárquicas e nas próximas eleições presidenciais”.

O antigo funcionário federal disse acreditar que o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) tem uma decisão a tomar na forma como reage e trabalha com estes documentos analisados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas, que constituem “provas” de “coisas que já se pensavam sobre a corrupção em Angola”.

“Será que vão usar estes documentos para fazer uma análise profunda” é uma das questões que “a sociedade civil vai levantar”, disse Malik Chaka.

Para o antigo responsável da agência federal de ajuda externa, os EUA podem contribuir com “partilha de capacidades e sistemas” num dos três países africanos de “relações especiais” com Washington, além da África do Sul e Nigéria.

Outros departamentos do Governo norte-americano poderão intervir “com assistência técnica nos processos legais”, como, por exemplo, o departamento das Finanças.

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