Sábado, 08 de Agosto de 2020
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Sexta, 03 Julho 2020 10:17

Kwanza cai quase 17 por cento face ao dólar

O kwanza depreciou-se 16,9 por cento em relação ao dólar e 17,2 face ao euro no primeiro semestre, assim como 39,8 e 40,3 por cento, respectivamente, em termos homólogos (a 12 meses), de acordo com dados do Banco Nacional de Angola (BNA) referentes a 29 de Junho.

A evolução reflecte a resposta do kwanza às pressões do mercado, onde a procura por moeda estrangeira é confrontada por uma oferta de cambiais insuficiente, declarou o BNA ao Jornal de Angola, lembrando a redução da entrada divisas.

O banco central aponta a queda da quantidade de divisas trazidas pelos bancos comerciais e da entrada de turistas de negócio, incluindo os recursos provenientes das fronteiras terrestres, além da queda abrupta dos preços do petróleo, o impacto da Covid-19 sobre a economia e as restrições impostas pelo Estado de Emergência.

“Não se trata de qualquer sinal de desequilíbrio no mercado formal, mas de uma alteração impactante dos termos de funcionamento do mercado informal, visto que, no mercado formal, a taxa de câmbio tem-se mantido estável”, reagindo “sem incidentes” à combinação da baixa da produção e dos preços do petróleo, considera o BNA.

“As reservas internacionais funcionaram e permitiram atender a procura sem influenciar a taxa de câmbio em demasia”, indica o banco central, notando que, na região da SADC, o kwanza foi das moedas que mais preservou valor em relação ao dólar.

Diante da conjuntura, determinados países estão a enfrentar enormes dificuldades para controlar o mercado cambial, como é o caso do Zimbabwe, cuja moeda perdeu mais de 70 por cento do valor nos primeiros seis meses, ou o Libano, onde as autoridades decidiram confiscar os depósitos em moeda externa no sistema bancário.

“O processo de gestão cambial do BNA tem sido reconhecido como exemplar por órgãos de especialidade internacionais, incluindo o próprio FMI”, destaca o banco, sublinhando o efeito das reformas cambiais iniciadas em 2018 para garantir o funcionamento sustentado de um regime de câmbio flexível no médio e longo prazo, bem como o equilíbrio das contas externas do país.

Nessa mesma acepção, o BNA considera que “As contas externas de Angola não estão assim tão deterioradas, como se pode aferir pelo saldo positivo da balança de pagamentos e a manutenção das reservas internacionais ao longo do ano, mesmo com o efeito negativo da Covid-19”.

Investing.com e Bloomberg

Os dados semestrais e homólogos da evolução do kwanza diferem dos publicados há uma semana pela consultora Investing.com, que atribuem ao kwanza uma depreciação 22,11 por cento face ao dólar no primeiro semestre e de 71,93 por cento a 12 meses.

Os números do banco central estão mais próximos dos publicados a 25 de Junho pela líder global de informação financeira Bloomberg, atribuindo ao kwanza um recuo de 17,6 por cento diante do dólar no primeiro semestre.

Nesse mesmo período, o real brasileiro, o kwacha zambianio e o rand sul-africano perderam 24,6, 22,5 e 19,7 por cento diante dólar.---------

Conjuntura económica não ameaça o curso do kwanza

O BNA declarou que não se vislumbra qualquer cenário de deterioração da economia que eleve o câmbio para níveis insustentáveis e afastou receios levantados em círculos empresariais de Luanda que, nas últimas semanas, apontam para a previsão de uma taxa de mil kwanzas por dólar até ao fim do ano.

Em respostas enviadas à nossa redacção para explicar a evolução do câmbio, o BNA insistiu em que, “por enquanto, não há a percepção” de uma escalada dos dólar e do euro diante da moeda nacional, admitindo intervir no mercado cambial através da injecção de mais liquidez em moeda externa ou por via de uma política monetária mais restritiva, caso o curso do kwanza se revele insustentável.

O banco central reconheceu um crescimento do diferencial entre as taxas de câmbio do mercado formal e as do informal posterior à primeira quinzena de Abril, quando de valores mínimos de 6,3 e 1,2 por cento face ao dólar e ao euro, respectivamente, o gap que separa a negociação das duas moedas num e noutro mercado encerrou o primeiro semestre a 29 e 22 por cento.

Mas, indicam os números fornecidos pelo BNA, o diferencial do câmbio entre os dois mercados nos seis primeiros meses do ano manteve-se abaixo do verificado no mesmo período do ano passado, quando se situou em 36 por centro em relação ao dólar e 28 face ao euro.

“A tendência decrescente do diferencial cambial foi interrompida em Abril de 2020 devido a vários factores, nomeadamente, a queda abrupta do preço de petróleo nos mercados internacionais, o impacto negativo da COVID-19 sobre a economia angolana e as restrições impostas sobre a actividade económica no âmbito do Estado de Emergência”, declara o BNA para explicar o comportamento do kwanza.

O novo regime cambial, considera, implica que o comportamento da taxa de câmbio seja determinado pelo mercado ou pela procura e a oferta da moeda, o que faz com que, num contexto de escassez de recursos cambiais, é normal haver uma depreciação da moeda nacional capaz de alargar o diferencial cambial.

O BNA também lembra que “a taxa de câmbio nos diferentes mercados já registava um movimento menos assinalável e uma depreciação branda”, o que foi interrompido pela redução dos preços das matérias-primas para mínimos desde a 2ª Guerra Mundial, “pressionando negativamente a evolução da taxa de câmbio”, com efeitos sobre outras variáveis como o quadro fiscal e do sector real da economia.

“Não se deve negligenciar que a taxa de câmbio de um país está sempre associada ao desempenho da economia e da capacidade produtiva”, nota o banco central, defendendo a manutenção do regime cambial flexível como opção vantajosa, “por permitir ao próprio mercado corrigir as distorções”.

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