Domingo, 16 de Mai de 2021
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Quarta, 21 Abril 2021 12:16

BPC perde mais de 560 milhões Kz por fraudes financeiras

As multas aplicadas pelo regulador contribuíram também em grande medida para as perdas operacionais declaradas pelo banco até ao primeiro semestre de 2020.

O valor das fraudes, reportado até ao momento, traduziu-se num aumento de 67% nas perdas em relação aos 338,9 milhões de kwanzas, declarados no período homólogo de 2019

As fraudes constituíram o principal handicap das perdas operacionais registadas pelo Banco de Poupança e Crédito (BPC) no primeiro semestre de 2020. Segundo o relatório e contas do banco público relativo aos primeiros seis meses daquele ano, as fraudes custaram à instituição cerca de 566,5 milhões de kwanzas, no período em referência, o que se traduziu num aumento de 67% em relação às perdas de 338,9 milhões de kwanzas, registadas no período homólogo de 2019. O documento disponibilizado na página de internet da entidade bancária dá ainda conta de que, no período em referência, foram realizadas no total 37 operações de fraude, mais seis em relação às verificadas um ano antes.

As multas aplicadas pelo regulador também contribuíram, em grande medida, para as perdas operacionais declaradas pelo banco até ao primeiro semestre de 2020. Até aquela data, o BNA multou o banco público em cerca de 162,9 milhões de kwanzas por ter identificado 122 infracções. O BPC declarou igualmente 19 falhas ao nível do sistema, quebra que no entanto não se traduziram em perdas financeiras.

Apesar destes registos, o BPC destaca que no final do primeiro semestre de 2020, as perdas operacionais atingiram 828,4 milhões de kwanzas, um valor abaixo dos 1,4 mil milhões apurados em igual período de 2019. O banco dá igualmente destaque ao facto de ter conseguido recuperar 334,8 milhões de kwanzas, no período em referência.

No global, as fraudes e as multas representaram um peso de 68,4% e 19,7%, respectivamente, no total das perdas assumidas pelo banco público até ao final de Junho de 2020.

Banco promete reforço interno

Entretanto, no âmbito das reformas em curso, o BPC anunciou ter já em fase conclusiva a contratação de uma entidade especializada que deverá ajudar a instituição a operacionalizar o Gabinete de Segurança da Informação, órgão que passa agora a ser totalmente autónomo e que terá como principal propósito o reforço de controlo interno da instituição bancária para prevenir futuras fraudes financeiras.

A informação foi avançada, em comunicado, pela própria entidade bancária, em Julho do ano passado, quando reagia a uma matéria publicada pelo portal Maka Angola, na qual se dava conta de que o banco público terá sido vitima, no passado dia 17 de Abril de 2020, de um desfalque financeiro na ordem dos 400 milhões de kwanzas.

De acordo com o documento, além de auxiliar a operacionalizar de forma autónoma o Gabinete de Segurança da Informação do banco, esta mesma “entidade especializada” deverá também ser a principal responsável pela criação de um Centro de Operações de Segurança “baseado em padrões internacionais”, entidade que deverá também zelar pela “melhoria da gestão dos perfis de acessos de utilizadores e integrações dos sistemas”.

Todo este esforço, segundo a administração do banco, visa a busca de soluções para os problemas, sobretudo de segurança, de que a instituição bancária ainda padece, o que tem permitido, em muitos casos, a perda de eficiência dos processos, como aconteceu, por exemplo, com os mais recentes casos de desfalques milionários de que o banco público foi alvo.

A solução para problemas do género, segundo o conselho de administração liderado por António André Lopes, passa necessariamente pela “substituição da solução informática do core bancário e da infraestrutura tecnológica que, pela sua antiguidade, falta de manutenção e actualização, sobretudo ao longos dos últimos anos, conduziu à fragilidade, vulnerabilidade e ineficácia do sistema informático”.

No primeiro semestre de 2020, a estrutura accionista do BPC sofreu uma alteração na sua composição com a entrada de mais uma entidade pública, no caso o Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE).

Assim, a estrutura do accionista do BPC passou a ser composta desde então pelo Estado, representado pelo Ministério das Finanças (MINFIN) com 59,8% do capital, o IGAPE (37,4%), o Instituto Nacional da Segurança Social (INSS) com 2,2% e a Caixa da Segurança Social das Forças Armadas de Angola (CSSFAA) com 0,2% de participação. O capital social do BPC, totalizava a 30 de Junho do ano passado, 1.060,9 milhões de kwanzas. OPAIS

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