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Sexta, 05 Novembro 2021 12:02

António Venâncio ameaça impugnar VIII Congresso do MPLA caso veja coarctados os seus direitos de militante

O engenheiro angolano António Venâncio, pré-candidato ao cargo de presidente do MPLA, partido no poder, queixou-se hoje de “vários obstáculos” para obter assinaturas no seio do partido e ameaçou “impugnar” o conclave de dezembro.

O VIII Congresso Ordinário do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder desde 1975) está marcado para de 09 a 11 de dezembro de 2021, em Luanda, e António Venâncio manifestou junto do seu partido, em 12 de outubro, a pretensão de concorrer à liderança.

Após anunciar a pré-candidatura ao cargo de presidente do MPLA, o engenheiro, militante dos “camaradas” há 48 anos, disse em conferência de imprensa estar a encontrar “vários entraves” para recolher assinaturas e formalizar a sua intenção.

António Venâncio fez saber que os primeiros dias de contacto com os seus colegas de partido em várias províncias do país para subscrições a favor da sua candidatura “foram animadores, mas não tardou e começaram a surgir mensagens a desencorajarem os militantes”.

Lamentou também o facto da imprensa pública angolana não ter dado qualquer valor noticioso aos seus pronunciamentos, afirmando que esta se limitou apenas a “divulgar e difundir a opinião unilateral das mono candidaturas”.

Segundo este militante, foi organizada uma marcha no Rangel, um dos distritos de Luanda onde reside, com o fim de tornar quase impossível a outra recolha de assinaturas com a mobilização de todos os CAP (comités de ação do partido) para a participação massiva na campanha.

“O modo como tais atos foram praticados conduziram a uma reação de reserva, devido à grande dose de intimidação de que se revestiram as declarações dos dirigentes partidários em relação à adoção do princípio da candidatura única”, afirmou.

O processo de apresentação de candidaturas, no âmbito deste congresso, teve início no dia 20 deste mês e encerra oficialmente hoje, mas António Venâncio diz ter requerido a prorrogação do prazo e aguarda por um posicionamento da subcomissão de candidaturas.

“Saberemos depois que passos dar, mas recomendamos, entretanto, a todos os delegados nas várias províncias que continuem o seu trabalho até que o processo de recolha de assinaturas seja dado como definitivamente encerrado”, advogou.

Cada candidatura ao cargo de presidente do MPLA deve ser suportada por 2.000 assinaturas, oriundas de 100 militantes inscritos em cada uma das 18 províncias angolanas.

João Lourenço, atual presidente do MPLA e da República de Angola, formalizou a sua candidatura à liderança do partido, em 27 de outubro, tendo apresentado 21.750 assinaturas subscritas por militantes das 18 províncias angolanas.

Luísa Damião, coordenadora da subcomissão de candidaturas da Comissão Nacional Preparatória do 8.º Congresso Ordinário, disse, na ocasião, que João Lourenço foi o primeiro militante do partido a formalizar candidatura.

António Venâncio, que se queixa de obstáculos para formalizar a sua candidatura, considerou também que foi cometida uma injustiça contra os militantes do partido que apoiam a sua candidatura.

“Foi combinada uma ação estruturada para prejudicar os esforços desenvolvidos em torno da minha candidatura e, com isso, evitar a multiplicidade de candidaturas para o mais alto cargo do partido a nível da nacional”, disse.

O engenheiro angolano ameaçou igualmente impugnar o congresso junto do Tribunal Constitucional: ”Se não forem respeitados os meus direitos como militante irei solicitar a anulação do ato, o que está previsto nos estatutos do partido”.

“Irei lutar, até às últimas consequências pela conquista dos nossos direitos, ancorados nas cláusulas estatutárias e nos princípios democráticos constitucionalmente consagrados para garantir que no país, cada militante do partido possa exercer o seu direito de opção de forma livre e consciente”, rematou António Venâncio.

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