Há algumas semanas, o renomado blogueiro Henrique Stress publicou um vídeo analisando uma carta conjunta de Tiago Ferreira, CEO da Mota-Engil Angola, a Francisco Franca, CEO da LAR. A origem do vazamento parece ter sido um funcionário da Mota-Engil Angola que fotografou o documento em um escritório localizado na Rua Narciso Espírito Santo, próximo ao café Terra do Nunca.
Deste modo, as deputadas angolanas, Ariane Lusadisu Nhany e Anabela Sapalalo, manifestaram-se veementemente sobre esta questão nas suas páginas do Facebook, onde foram apoiadas por muitos cidadãos angolanos.
O documento expressa preocupação quanto à legalidade do contrato de concessão, que, se investigado pelas autoridades angolanas, pode causar repercussão internacional. Nas palavras de Anabela Sapalalo, o texto do contrato de concessão é oculto aos cidadãos angolanos e seus termos são extremamente opacos, deixando aberto para muita interpretação e possíveis desvios e casos de corrupção a beneficiar determinados grupos.
Na opinião de Anabela Sapalalo o modelo de contratação pública que o governo do MPLA tem usado desde 2017 (concessão direta e Adjudicações diretas) não tem garantido a livre concorrência de mercado e afecta diretamente o modelo recomendado pelo FMI que é do concurso público. Como resultado, apenas um punhado de empresas ligadas ao regime, continua a ser favorecida e a engordar com o olhar cúmplice do senhor Presidente da República.
Anabela Sapalalo escreveu uma grande postagem, na qual incluiu todo o descontentamento do povo angolano com o governo do PR João Lourenço, a gestão fechada do projecto do corredor do Lobito e o alto nível de corrupção no país, que impede Angola de se desenvolver e o cidadão comum de viver melhor! O seu principal apelo é para que a Procuradoria-Geral da República conduza investigações sobre o projeto do corredor do Lobito e a componente de corrupção do envolvimento da Mota-Engil e da LAR.
A corrupção e os zigue-zagues da política externa de JLo deixam Angola entre os EUA e a China, numa situação menos atraente para os investidores externos, dado que estes costumam investir em países que apresentem estabilidade e objectivos claros!
Anabela Sapalalo afirma que o corredor do Lobito é sem sombra de dúvidas um projecto ambicioso que, além de gerar um impacto significativo na nossa economia (gerando postos de emprego e criar canais de escoamento dos nossos produtos) tem uma componente de influência regional, todavia o projecto em si não é o problema, mas a sua gestão.
Pouco sabemos sobre o modelo de contratação das empresas responsáveis pelo projecto, desconhecemos o montante real do investimento americano e quais metas foram concretizadas desde o lançamento do projecto. Essas e muitas outras questões, não somente deixam o povo desconfiado, mas afastam possíveis investidores estrangeiros que, continuam céticos com o governo angolano, que tem deixado indícios de má gestão e corrupção. Enfatize-se que de acordo com o jornal “Expansão”, estrangeiros “desinvestiram” 20,3 mil milhões de dólares americanos nos últimos 10 anos, estatísticas essas obtidas do Banco Central. O economista Heitor Carvalho afirma que se trata de um “cenário preocupante, mas esperado”.
Talvez isso explique o porquê do presidente norte-americano Donald Trump querer congelar essa linha de financiamento ao Corredor do Lobito, uma vez que um insider da Casa Branca, Bill Barnes, referiu-se à Angola como uma “ditadura corrupta” em postagem do X do início de 2025. E agora, qual será a alternativa se não há transparência quanto à execução e continuidade do projecto?
A deputada da UNITA afirma que o governo angolano deve ser responsável na sua política externa, no seu relacionamento diplomático e comercial com as potências globais.
É necessária uma investigação da Procuradoria-Geral da República sobre o projeto do corredor do Lobito e a componente de corrupção do envolvimento da Mota-Enguil e da LAR. Nós, cidadãos de Angola, temos o direito de conhecer os termos deste acordo, especialmente quando surgem sérias dúvidas acerca de sua legitimidade! Vivemos num país onde tudo é desviado, onde há desvio de função, desvio de recursos, desvio de fundos e até desvio de objectivos. Por que investir no corredor do Lobito se o dinheiro investido ainda será desviado e as pessoas continuarão a ficar mais pobres?! José Semedo