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Terça, 24 Novembro 2020 12:06

Caso de Inocêncio: PGR não autoriza outra autópsia conforme prometido ao pai

Há quase duas semanas, desde o falecimento de Inocêncio de Matos, activista morto durante a manifestação de 11 de Novembro corrente, em Luanda, continuam as barreiras para a marcação da data do funeral deste, devido a falta de exames "credíveis" que comprovem para a família e advogados, as reais causas que estiveram na base da sua morte.

Soube Angola24Horas que, nesta segunda-feira, 23, quando tudo apontava para um desfecho que permitisse avançar para uma autópsia e com a presença de um fotógrafo, requerida pelo corpo de advogados da família, eis que a PGR, decidiu ludibriar uma vez mais todos, incluindo o pai da vítima, senhor Alfredo, que no pretérito sábado desistiu do protesto que efectuava defronte daquela instituição, com a garantia de que haveriam de reunir com ele para dar desfecho favorável da sua reivindicação.

A mesma fonte avançou que, pelo contrário, a PGR para além de não reunir com o pai de Inocêncio de Matos, emitiu um despacho onde indifere (rejeita) o pedido da autópsia com a presença de um fotógrafo.

"Sendo assim o funeral continua sem data, aguardando-se desta feita um novo recurso dos advogados para os passos posteriores", conforme declarações que este informativo teve acesso.

A 20 de Novembro, a PGR emitiu um comunicado de imprensa, em que defende a versão da Polícia Nacional de que Inocêncio de Matos, foi “gravemente ferido durante as manifestações do dia 11 de Novembro e que viria a sucumbir um dia depois, no Hospital Américo Boa Vida, após intervenção cirúrgica, na mesma nota em que rejeita a inclusão de um fotógrafo, alegando que este é alheio a profissão forense.

Os advogados da família continuam com a ideia de que para levar o caso ao Tribunal, precisam de fazer uma segunda autopsia na presença dos representantes legais e incluindo um fotógrafo para fazer imagens para no futuro, o juiz poder analisar se os ferimentos na cabeça de Inocêncio Alberto de Matos foram feitos por tiro ou por “objeto contundente” como insinua a Polícia Nacional e acusam a PGR de obstrução de provas e da verdade, alertando não existir na lei, algum dispositivo que proíba fotografias ao cadáver sendo que é uma prática universal fazer imagens do mesmo para se apresentar em tribunal.

Alfredo de Matos, pai do jovem Inocêncio, de 23 anos de idade, morto na Manifestação a 11 de Novembro, suspendeu às 00h de sábado ultimo, a vigília que levava a cabo, defronte as instalações da PGR, clamando por justiça, após ter sido atendida a sua exigência pelo SIC.

De acordo com informações para Angola24Horas, por volta das 23 horas deste mesmo dia, surgiu no local, um oficial do SIC-Luanda com o intuito de intermediar uma rápida solução para se sanar o assunto relacionado com a contra autópsia, ainda por realizar, tendo inclusive falado com o advogado Zola Bambi.

Vale recordar que, Inocêncio de Matos, de 23 anos de idade, morreu no dia 11 de Novembro corrente, por volta das 16, no Hospital Américo Boavida, em Luanda, segundo o relatório médico, pouco depois que este terá sido atingido por alegadamente um agente da Polícia Nacional, com uma bala da cabeça, durante a repressão contra os manifestantes, num dia que Angola celebrava os 45 anos de independência no país.

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