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Sexta, 13 Novembro 2020 22:38

Bolsonarista que espancou angolanos no Brasil é alvo do MP por violência doméstica e racismo

Dois universitários angolanos foram espancados e jogados para fora de uma distribuidora de bebidas em Maringá (Brasil), no norte do Paraná. As imagens chocantes que circulam nas redes sociais causaram indignação.

Os dois homens –de 26 e 27 anos– chegaram a desmaiar por conta das agressões. O caso ocorreu na noite do último sábado, 7. Além dos seguranças da loja de bebidas, outros “clientes” também participaram do ataque racista aos dois universitários angolanos.

O ex-Polícia Militar do Paraná (Brasil) que liderou o ataque contra dois universitários angolanos em Maringá, Nilson Roberto Pessutti Filho é alvo de duas ações do Ministério Público do Estado do Paraná, uma por agredir fisicamente a ex-esposa e outra por racismo contra haitianos.

Conhecido como Soldado Pessuti, ele foi candidato a deputado federal pelo PSL em 2018 e exibia a imagem do presidente Jair Bolsonaro em seu panfleto.

Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público à 5ª Vara Criminal de Maringá em 24 de outubro de 2020 com base em inquérito policial (0003878-65.2016.8.16.0190) instaurado em fevereiro de 2016, Pessutti Filho “de forma consciente e voluntária, agindo mediante violência de gênero e prevalecendo-se de relações domésticas e familiares, ofendeu a integridade física da vítima”.

A peça, apresentada pela promotora Carla Cristina Castner Martins relata que durante o ato de agressão contra a ex-esposa, o homem “desferiu-lhe um soco na face, atirou-lhe para fora do veículo e, ato contínuo, desferiu-lhe coronhadas na cabeça, causando-lhe lesões corporais de natureza leve consistentes em: ‘escoriações em região malar esquerda'”.

A denúncia leva como base a Lei Maria da Penha (11.340/2006) e enquadra o caso como violência doméstica. Pessutti Filho pode pegar de 3 meses a 3 anos de detenção.

Advogados do consulado de Angola virão a Maringá na semana que vem

Eles irão acompanhar o andamento das investigações sobre a agressão sofrida por dois angolanos numa loja de conveniência no último fim de semana. Eles darão apoio psicológico também a outros três angolanos que foram intimados no dia seguinte quando os cinco estiveram no local tentando identificar os autores da agressão. Os advogados chegam no próximo dia 18 e vão conversar com a Polícia Civil e com o Ministério Público, diz o presidente da Associação dos Estrangeiros residentes em Maringá e região, Ronelson Furtado Balde.

Discriminação racial

A outra denúncia – com base no inquérito policial 0011147-24.2018.8.16.0017 – foi apresentada pelo MP à 3ª Vara Criminal de Maringá em outubro de 2018 e imputa crime de racismo em um episódio de discriminação contra duas pessoas oriundas do Haiti. Na ocasião, ele ofende também pessoas de Angola que moram no Brasil.

“Não pode entrar qualquer um aqui. Achar que pode fazer o que quiser. Esse país é nosso. Não é de político corrupto, não é de haitiano, não é de angola… Não é de ninguém. É nosso. É do brasileiro”, disse o homem no episódio, segundo a promotora Michele Nader.

As declarações foram feitas durante gravação que Pessutti Filho fez ao acompanhar uma detenção de dois haitianos que estariam com entorpecentes.

“E tá aqui as duas… as duas figuras: olha o tipinho. Acha que pode chegar aqui no nosso país, fazer o que quiser, usar droga no meio de todo mundo”, completou ainda o homem.

Pessutti foi expulso da Polícia Militar do Paraná após condenação por indisciplina em 2018.

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