Quarta, 25 de Novembro de 2020
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Domingo, 25 Outubro 2020 13:00

Jornalistas agredidos por polícias em Luanda foram obrigados a apagar imagens

Dois jornalistas da agência noticiosa francesa AFP queixaram-se este domingo de terem sido agredidos pela polícia quando faziam a cobertura de uma manifestação em Luanda e afirmaram ter sido obrigados a apagar como imagens.

Em declarações à Lusa, o fotógrafo Osvaldo Silva contou que foi espancado e agredido com cassetetes, tendo-lhe sido retirado do telemóvel, apesar de se ter identificado como repórter. "Eu estava no chão, definiu a bater e eu disse que era jornalista, mas não quiseram saber", relatou.

Osvaldo Silva disse que tinha uma credencial, atestando que era jornalista, mas que a mesma foi "arrancada" pela polícia, que o coagiu também a apagar como imagens do cartão da máquina fotográfica.

"Fiz um esforço grande, agarrei-me à câmara e como tinha um outro cartão, troquei", explicado o fotógrafo, explicando que foi levado a uma esquadra e libertado algum tempo depois.

Um outro jornalista da AFP, Jorge Simba, disse à Lusa que foi obrigado a apagar as imagens e impedido de fazer a cobertura da manifestação.

"Se nós estamos credenciados como jornalistas, estamos autorizados a cobrir todos os eventos. O meu trabalho é esse, fazer uma vista das imagens para mostrar o que estava a constatar e fiquei sem nada", criticou.

Jorge Simba lamentou a atuação da polícia, que reprimiu fortemente a manifestação, com recurso a cavalaria, brigadas caninas e gás lacrimogéneo, e sublinhou que a polícia desviar garantir a segurança dos jornalistas em vez de tentar travar o seu trabalho.

A manifestação terá resultado em 40 detidos, segundo o deputado da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) Nelito Ekukuiu.

A Lusa pede esclarecimentos à polícia sobre as detenções, até agora sem resposta.

A direção do Sindicato dos Jornalistas vai reunir-se e tomar posição sobre o assunto, segundo o presidente do órgão, Teixeira Cândido.

No total, foram detidos seis jornalistas, segundo o sindicato.

A marcha, convocada por ativistas da sociedade civil, contou com a adesão da UNITA e outras opções da resposta e visava reivindicar as melhores condições de vida, mais emprego e a realização das primeiras mudanças autárquicas em Angola.

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