Quinta, 29 de Outubro de 2020
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Quarta, 29 Julho 2020 13:27

Unitel analisa os últimos 10 anos da gestão de Isabel dos Santos

A auditoria forense à gestão da Unitel S.A, nos últimos 10 anos, está entre os tópicos da reunião da Assembleia-Geral da maior operadora móvel angolana, iniciada segunda-feira, em Luanda, mas que, por razões de agenda, foi suspensa e deve retomar na próxima segunda-feira.

Sem admitir a existência de crimes na administração da Unitel nos últimos anos, os accionistas adoptam a auditoria forense como instrumento complementar de supervisão, com o qual procuram confirmar o cumprimento rigoroso das matérias que se inscrevam nas competências da Assembleia-Geral. O Jornal de Angola soube que o objectivo é perceber se as medidas e normas de controlo foram cumpridas.

O encontro dirigido pelo presidente da Mesa, Aguinaldo Jaime, deve analisar ainda a informação sobre a decisão judicial de anulação das deliberações da reunião de Dezembro de 2014 e sobre a necessidade de renovação das mesmas. Os sócios da operadora móvel estão a apreciar, de igual modo, a reclamação de prémios relativos a 2018/2019, de Antony Dolton, ex-gestor. Também, devem ser revistos os relatórios e contas de 2019, os prémios dos administradores e a distribuição de dividendos entre os accionistas.

Vidatel reclama pagamentos

A Assembleia-Geral da Unitel ocorre numa altura em que uma das accionistas, no caso a Vidatel, empresa ligada à empresária Isabel dos Santos, reclama uma dívida por pagar de mais de 300 milhões de dólares.

Em comunicado, a Vidatel diz ter efectuado, em 2016, um empréstimo à operadora angolana, numa operação validada e reconhecida pela administração e accionistas. Nesse sentido, a nota desmente quaisquer operações e ilícitos de favorecimento à Isabel dos Santos, que não fossem dividendos e salários acordados e feitos sempre com base na legislação em vigor.

Dólar sai como referência Uma das decisões da Assembleia-Geral da Unitel S.A, iniciada ontem, na sua sede, em Luanda, será a de eliminar a referência do dólar nos pagamentos de salários e prémios aos gestores. Ao que consta, os gestores da operadora são pagos em função da flutuação cambial, medida que os protege de quaisquer desvalorização ou flutuações da moeda.

Nova Unitel

Em 2019, a Unitel ganhou novo rosto e entrou numa nova era. Isabel dos Santos perdeu poderes de interferência na gestão e viu serem retirados os seus principais gestores aliados. Embora se manteve no Conselho de Administração, a PT passou a ser o accionista encarregue de indicar a maioria da administração e os principais gestores.

Quanto à distribuição de dividendos, o accionista Sonangol, que representa os interesses do Estado angolano, anunciou, meses atrás, um encaixe de milhões de dólares como resultado da sua participação na telefonia. Tal processo ocorreu já depois de um Tribunal Arbitral ter dado razão também aos brasileiros da Oi, que reclamavam de 600 milhões de dólares não recebidos por diferendo nos critérios e forma de pagamento com a administração, na altura, de Isabel dos Santos, que ao que se sabe, não terá participado na reunião de ontem. No ano passado, esteve presente via telefónica.

Contudo, a participação da empresária está arrestada desde Dezembro do ano passado, por força de uma reclamação do Estado angolano, que entrou com pedidos na Justiça local e portuguesa para reaver valores que ultrapassam os mil milhões de euros.

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