Quarta, 08 de Julho de 2026
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Quarta, 08 Julho 2026 21:20

Lobista da UNITA pede maior envolvimento dos EUA nas eleições angolanas de 2027

A consultora norte-americana AO Development Company, contratada pela UNITA para prestar serviços de representação institucional nos Estados Unidos, começou a promover junto de decisores políticos norte-americanos uma estratégia de aproximação ao maior partido da oposição angolana, defendendo um maior envolvimento de Washington no processo eleitoral previsto para 2027.

Segundo o Valor Económico, a empresa distribuiu memorandos a membros do Congresso norte-americano, responsáveis da Administração dos Estados Unidos, centros de investigação, universidades e líderes empresariais, nos quais sustenta que uma Angola governada pela UNITA representaria um parceiro mais próximo do Ocidente e menos exposto à influência da Rússia e da China.

Os documentos, submetidos ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos ao abrigo do Foreign Agents Registration Act (FARA), revelam que a consultora tem desenvolvido uma estratégia de promoção política que vai além da organização de encontros institucionais. Entre os materiais distribuídos constam análises sobre a história da UNITA, o percurso político do seu presidente, Adalberto Costa Júnior, e a visão do partido para o futuro de Angola.

A iniciativa enquadra-se na estratégia internacional da UNITA para reforçar os contactos com parceiros externos antes das eleições gerais previstas para 2027, procurando sensibilizar decisores norte-americanos para a importância do escrutínio do processo eleitoral angolano.

No âmbito dessa estratégia, o presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, deslocou-se a Washington a 24 de Junho, numa visita oficial de trabalho, durante a qual manteve encontros com diferentes interlocutores norte-americanos.

Dias depois, durante a apresentação, em Lisboa, do seu livro sobre o processo eleitoral de 2022, Adalberto Costa Júnior afirmou que decorrem negociações "muito avançadas" para que a Fundação Carter possa integrar as missões de observação das eleições angolanas de 2027.

O líder da oposição recordou igualmente que a UNITA tem procurado obter o envolvimento da União Europeia na observação eleitoral, alegando que a presença de missões europeias tem sido recusada pelo Executivo angolano.

"Estivemos a percorrer os corredores do Parlamento Europeu para ter a presença da observação eleitoral da União Europeia nas eleições de 2027, uma presença que tem sido permanentemente negada pelo Governo", afirmou.

Adalberto Costa Júnior criticou ainda o actual modelo de observação eleitoral, defendendo que o Governo privilegia determinadas missões africanas em detrimento de organizações internacionais consideradas independentes.

Segundo o dirigente, caso o Executivo continue a rejeitar observadores internacionais provenientes dos Estados Unidos ou da Europa, também deveria reavaliar os pedidos de cooperação técnica, financeira e institucional dirigidos a esses mesmos parceiros.

Nos memorandos preparados pela AO Development Company, citados pelo Valor Económico, é igualmente defendido um aprofundamento das relações entre os Estados Unidos e a UNITA, numa altura em que Angola assume crescente relevância geopolítica na competição estratégica entre as potências ocidentais e os seus principais rivais internacionais.

Até ao momento, o Governo angolano não reagiu publicamente ao conteúdo dos documentos divulgados nem às posições defendidas pela consultora norte-americana.

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