Segunda, 29 de Junho de 2026
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Segunda, 29 Junho 2026 10:57

UNITA acusa Executivo de perder combate ao lobby da importação e critica dependência do endividamento

A UNITA acusou o Executivo angolano de acumular "derrotas nas batalhas" contra o lobby da importação, alegadamente dominado por interesses instalados que, segundo o maior partido da oposição, continuam a desafiar a capacidade do Estado para promover a produção nacional.

Em reacção ao relatório de execução do Orçamento Geral do Estado (OGE) relativo ao quarto trimestre de 2025, o Grupo Parlamentar da UNITA considera que programas como o Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI) e o Plano Nacional de Fomento para a Produção de Grãos (PLANAGRÃO) se revelaram ineficazes, classificando-os como "palavras vazias, falhadas na execução e vencidas pela máfia da importação".

Segundo o partido do "Galo Negro", mais de metade das receitas arrecadadas no último trimestre de 2025 resultaram de mecanismos de financiamento, nomeadamente através de linhas de crédito e do recurso ao endividamento. A UNITA destaca ainda que o financiamento externo registou uma taxa de execução de 86,55%, o que, na sua perspectiva, evidencia a crescente dependência do Estado em relação ao crédito.

A oposição sustenta igualmente que os encargos financeiros com juros e amortizações da dívida pública continuam a absorver uma fatia significativa dos recursos do Estado. De acordo com a análise apresentada, estas despesas representaram cerca de 60% da despesa realizada no trimestre, ultrapassando, em conjunto, os investimentos destinados aos sectores social e económico.

Outro dos aspectos apontados pela UNITA prende-se com a vulnerabilidade da economia angolana às oscilações do mercado petrolífero. O partido refere que a descida do preço médio de exportação do petróleo, estimado entre 62 e 70 dólares por barril, aliada à redução da produção diária, demonstra que o OGE permanece excessivamente exposto às variações da principal fonte de receitas do país.

No que respeita às importações, a UNITA cita dados do Banco Nacional de Angola (BNA), segundo os quais o país gastou, ao longo de 2025, cerca de 2,14 mil milhões de dólares na importação de bens alimentares, um aumento de 5% face ao ano anterior.

Para a oposição, estes indicadores confirmam que sectores estratégicos como a agricultura, a indústria e as pescas continuam sem o apoio necessário para reduzir a dependência das importações e diversificar a economia nacional.

A UNITA critica ainda aquilo que considera ser uma "crónica inversão de prioridades" na gestão das finanças públicas, defendendo que o peso do serviço da dívida compromete o financiamento de áreas essenciais, como a educação e os programas de combate à pobreza, que, segundo o partido, receberam menos de 10% dos montantes que deveriam ter sido executados durante o período em análise.

Como consequência desta realidade, o partido refere que Angola continua a registar mais de quatro milhões de crianças fora do sistema de ensino e sublinha que quatro em cada cinco empregos criados no país pertencem ao sector informal, indicadores que, na sua óptica, reflectem as fragilidades estruturais da economia e das políticas públicas.

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