Terça, 11 de Agosto de 2026
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Terça, 11 Agosto 2026 11:57

O Presidente da UNITA devia ordenar que os militantes atirassem pedras e paus à polícia?

Ontem li um cartoon do Sérgio Piçarra que, basicamente, critica o Presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, por ter reagido pacificamente à barbárie da Polícia Nacional na província do Uíge. Por outro lado, tenho lido textos em que cidadãos acusam o Presidente da UNITA pela forma pacífica como reagiu àqueles acontecimentos graves.

Devo dizer que tais críticas, para além de obviamente ridículas, evidenciam estrabismo intelectual, uma mentalidade tacanha e uma atitude de transformar a vítima em culpado.

As responsabilidades pelos actos de selvajaria ocorridos no Uíge são da Polícia Nacional, do Governador da Província, do chefe do SINSE, Fernando Garcia Miala, e do Presidente do MPLA, ou seja, do regime.

Apontar o dedo acusador ao Presidente da UNITA é um acto de irresponsabilidade sem tamanho. E tem sérias implicações.

Em primeiro lugar, se o Presidente da UNITA tivesse ordenado que os militantes e dirigentes atirassem pedras e paus à Polícia, esta teria estropiado e assassinado  de dezenas a centenas de pessoas. Outras tantas teriam sido detidas e presas.

Em segundo lugar, o securitarismo teria aumentado para níveis nacionais, expandindo-se para todas as outras províncias.

Em terceiro lugar, a estratégia da UNITA para a alternância teria sido diluída.

Outras consequências teriam ocorrido.

O Presidente da UNITA não deve gerir a organização à luz de demandas de cidadãos cuja visão redutora da alta política é regida pela lógica de preto e branco. A UNITA não é uma gangue de rua nem é uma cantina. Aliás, até a gestão de uma cantina requer alguma inteligência estratégica.

A UNITA é um partido que pretende chegar ao poder e governar o País. Por razões de profundidade estratégica, não reage aos actos de barbárie (do regime) do MPLA para acabar por dar-lhe energia de reforço da sua estratégia de manutenção no poder.

Atirar pedras e paus seria fazer um grande favor ao regime do MPLA, que esfregaria as mãos de contente, pois teria motivos para realizar os objectivos macabros que não consegue realizar por não haver contexto nem conjuntura de cobertura. E um desses objectivos macabros é neutralizar o Presidente da UNITA e a própria UNITA, destruindo a sua ascensão no pós-guerra como o partido que faz caminho para a alternância.

Nuno Álvaro Dala

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