Quinta, 04 de Junho de 2026
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Quinta, 04 Junho 2026 10:59

UNITA alerta para agravamento da crise social, contesta resultados do censo e critica a governação

A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) manifestou profundas preocupações relativamente à situação económica e social do país, durante a III Reunião Ordinária do Comité Permanente da Comissão Política, realizada a 3 de Junho, no Complexo Dr. Jonas Malheiro Savimbi, em Viana, Luanda.

O encontro, presidido pelo líder do partido, Adalberto Costa Júnior, serviu para analisar a situação interna da organização, o contexto nacional e os impactos da conjuntura internacional sobre Angola. No comunicado final divulgado após a reunião, o principal partido da oposição destacou o crescimento da sua implantação a nível nacional, apesar dos constrangimentos que afirma continuar a enfrentar.

Entre os temas abordados, a UNITA condenou os actos de intolerância política registados em várias regiões do país, defendendo o reforço da convivência democrática e do respeito pelas liberdades fundamentais.

O Comité Permanente assinalou igualmente o 35.º aniversário dos Acordos de Bicesse, celebrados a 31 de Maio de 1991, considerando-os um marco fundamental na construção da Segunda República e do Estado Democrático e de Direito em Angola.

No plano político, o partido saudou o debate público em torno do Pacto para a Estabilidade e Reconciliação Nacional, considerando que o documento tem ocupado um lugar central na actualidade política angolana.

Durante a reunião foram aprovados, por unanimidade, o Relatório de Actividades do Secretariado Executivo referente aos meses de Março, Abril e Maio de 2026, bem como o Relatório e Contas relativo ao primeiro trimestre do ano. Foi ainda validado o Plano de Actividades para os meses de Junho, Julho e Agosto.

A situação económica mereceu particular atenção. Apesar da subida do preço do petróleo nos mercados internacionais, a UNITA considera que os benefícios dessa valorização não se reflectem na melhoria das condições de vida da população. O partido expressou preocupação com o agravamento da crise social e apelou ao Executivo para adoptar medidas que reduzam o sofrimento dos cidadãos.

Nesse sentido, defendeu também a elaboração e submissão à Assembleia Nacional de um Orçamento Geral do Estado rectificativo para 2026, ajustado à nova realidade das receitas petrolíferas.

Outra preocupação apontada foi a escassez de combustíveis que afecta várias províncias do país. A UNITA instou o Governo a prestar esclarecimentos públicos sobre as causas da situação e sobre as medidas previstas para restabelecer o abastecimento regular.

O comunicado faz ainda referência a questões relacionadas com a protecção civil e a segurança dos cidadãos. O partido lamentou as consequências das enxurradas na província de Benguela e criticou o que classificou como tratamento indigno dispensado aos sinistrados. Manifestou igualmente pesar pelas vítimas do desabamento de uma mina artesanal de ouro na província do Bengo, apresentando condolências às famílias afectadas.

No campo social e religioso, a UNITA prestou homenagem a Dom Zacarias Kamwenho, Arcebispo Emérito da Arquidiocese do Lubango, destacando o seu contributo para a paz e reconciliação nacional.

Relativamente ao recenseamento populacional, o partido revelou reservas quanto à credibilidade dos resultados do último censo, alegando que numerosos cidadãos não foram abrangidos pelo processo de recolha de dados.

A formação política mostrou também preocupação com as dificuldades na emissão de bilhetes de identidade, documento considerado essencial para o exercício dos direitos de cidadania, incluindo o direito de voto.

A encerrar o comunicado, a UNITA reiterou o seu compromisso com a construção de uma Angola mais democrática, defendendo melhores condições de participação política, desenvolvimento económico e inclusão social para todos os cidadãos.

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