Quarta, 01 de Abril de 2026
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Quarta, 01 Abril 2026 12:49

Sousa Jamba critica leituras “superficiais” sobre práticas simbólicas da UNITA

O escritor Sousa Jamba defende que as manifestações visuais não devem ser confundidas com intenções militares e acusa os comentadores de falta de profundidade na análise política.

O escritor e antigo membro da UNITA, Sousa Jamba, criticou publicamente aquilo que considera serem interpretações precipitadas e distorcidas sobre práticas simbólicas do partido, apontando para uma cultura política em Angola marcada pela suspeita e pela caricatura entre adversários.

Numa publicação na sua página do Facebook, Jamba sustenta que, tanto no seio da UNITA como do MPLA, persiste um “reflexo antigo” de julgar o outro sem o procurar compreender, substituindo o debate informado por leituras simplistas e, muitas vezes, alarmistas.

O autor refere que este padrão não se limita às bases militantes, estendendo-se também a sectores intelectuais que, segundo afirma, acabam por empobrecer o debate público ao optar por análises superficiais ou motivadas por interesses políticos e busca de protagonismo.

As declarações surgem na sequência de reacções geradas por uma actividade pública em que jovens apoiantes da UNITA envergaram trajes associados ao passado histórico do movimento, nomeadamente uniformes verdes e boinas vermelhas. Para Jamba, a interpretação de que tais imagens configurariam sinais de uma eventual remilitarização do partido revela desconhecimento da sua história e cultura interna.

O escritor argumenta que movimentos com décadas de existência, como a UNITA, não se definem apenas por programas políticos, mas também por símbolos, rituais e formas de representação que fazem parte da sua identidade. Nesse contexto, defende que o uso de vestuário histórico deve ser entendido como uma evocação simbólica e não como uma manifestação de intenções bélicas.

Evocando memórias pessoais, Jamba recorda práticas antigas de expressão política através da indumentária e da encenação, sublinhando que, em determinados períodos, a adesão a uma causa política passava também por formas visuais e performativas de afirmação colectiva.

O antigo membro do partido destaca ainda a influência de tradições culturais e religiosas na construção dessa estética simbólica, nomeadamente o recurso à dramatização como forma de transmissão de valores e memória histórica.

Apesar de reconhecer que, durante o período de guerra, a UNITA teve estruturas militares organizadas, Jamba sublinha que essas foram extintas com a criação das Forças Armadas Angolanas unificadas. Assim, rejeita qualquer associação entre manifestações actuais e a existência de uma componente armada activa.

Para o autor, as representações observadas em eventos recentes devem ser interpretadas como exercícios de memória e identidade, e não como sinais de ameaça. Nesse sentido, apela a uma abordagem mais prudente e contextualizada por parte de analistas e comentadores.

Jamba conclui defendendo que a compreensão de movimentos históricos exige um esforço de interpretação mais profundo, alertando que análises apressadas contribuem para a distorção do debate político e para o agravamento das divisões no espaço público angolano.

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