No parecer emitido sobre o relatório de gestão, o órgão de fiscalização defende, entre outras medidas, a implementação de um cronograma de “cobrança agressivo junto de terceiros e do Estado”, numa altura em que a dívida acumulada à petrolífera ronda os 7,2 mil milhões de dólares, valor que representa uma redução de 4% face ao ano anterior.
Apesar de a empresa ter registado lucros na ordem dos 946 milhões de dólares e capitais próprios avaliados em 11.329 milhões USD — equivalentes a cerca de 10,4 biliões de kwanzas — o Conselho Fiscal considera existir um “desequilíbrio em direcção ao curto prazo”, associado a riscos financeiros relevantes.
Entre os principais factores apontados estão a pressão sobre a liquidez, a crescente dependência de financiamento externo e a elevada exposição a passivos de longo prazo, especialmente provisões que, segundo o relatório, acabam por reduzir o valor real da empresa.
O documento refere ainda que a cobertura de caixa disponível garante apenas 18% das necessidades financeiras da companhia, cenário que aumenta a vulnerabilidade da Sonangol perante compromissos imediatos e obrigações operacionais.
Ao contrário do que aconteceu em exercícios anteriores, o parecer do Conselho Fiscal não se limitou a observações genéricas sobre a actividade da petrolífera estatal. O órgão apresentou uma análise mais detalhada e sustentada em indicadores financeiros concretos, lançando um sério alerta sobre a sustentabilidade da estrutura financeira da empresa.
Entre as preocupações identificadas, destaca-se igualmente o aumento do endividamento bancário, considerado um dos sinais mais evidentes da pressão financeira enfrentada pela companhia.
Ainda assim, o Conselho Fiscal recomendou a aprovação do relatório e contas de 2025, defendendo, contudo, a adopção urgente de medidas de correcção para reforçar a capacidade financeira e operacional da empresa.
O parecer surge numa altura em que a Sonangol continua a desempenhar um papel central na economia angolana, sendo responsável por uma parte significativa das receitas públicas e da produção petrolífera nacional.

