Os militantes do partido histórico da luta de libertação nacional declararam, em conferência de imprensa, acreditar na boa-fé do presidente Nimi a Simbi, concedendo-lhe uma moratória para que remarque a reunião do Comité Central, caso contrário, planejam informar aos militantes em todas as 21 províncias e implementar medidas sancionatórias estatutárias.
O presidente, segundo o militante Paulo Hernandez, “está a encurralar-se de tal ordem que ele não terá saída possível”, acrescentando que o partido possui mecanismos para ultrapassar o líder e avançar, embora prefiram, por enquanto, evitar uma crise maior.
Os membros daquele partido histórico da luta de libertação nacional manifestaram estas preocupações numa conferência de imprensa sobre a governação do partido e o risco de crises que enfrentam à medida em que o país se aproxima das Eleições Gerais de 2027.
No encontro, que contou com a presença de destacados militantes do partido, entre os quais Laís Eduardo, Pedro Gomes, Paulo Hernandez, Ndonda Zinga, entre outros, os militantes indicaram que o partido tem estatutos que esclarecem que o Secretariado deve preparar as reuniões do Bureau Político e este, por sua vez, organiza a reunião do Comité Central, responsável por convocar o congresso.
Os militantes expressaram “profunda insatisfação” com a actuação do presidente Nimi a Simbi, acusando-o de “sabotar reuniões internas e manipular processos estatutários para contornar a realização do congresso”.
Os membros do partido alegam que o presidente tem adiado sistematicamente essas instâncias, indicando como exemplo a reunião do Bureau Político, de 16 de Outubro último, seguida de outro adiamento da reunião do Comité Central, que estava marcada para os dias 22 e 23 de Outubro do ano passado. Para o cancelamento destes encontros, segundo os militantes, Nimi a Simbi alegou falta de recursos financeiros.
Os militantes consideraram que, em condições normais, o presidente devia voltar a reunir o Bureau Político para informar sobre as insuficiências de meios financeiros. Os críticos da FNLA apontam para uma contradição grave do presidente, depois de cancelar a reunião do Comité Central por suposta escassez de fundos.
Congresso em risco
Os militantes da FNLA consideram sem legitimidade a convocação por Nimi a Simbi do congresso, anunciado para 26, 27 e 28 de Outubro do ano em curso.
Os críticos à liderança do partido afirmaram que este congresso foi anunciado “unilateralmente, sem ter merecido a aprovação do Comité Central”.
“Como é que o presidente pode anunciar a data de realização do congresso, se ele não convocou o órgão que é competente para o efeito; não existe legitimidade e seriedade da parte dele”, referiram os militantes.
Os militantes indicaram que o congresso deve ser anunciado com seis meses de antecedência, com uma reunião extraordinária obrigatória do Comité Central, até Março próximo, para preparar o evento.

