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Quarta, 22 Fevereiro 2023 12:58

Kamalata Numa manda Higino Carneiro “crescer e aparecer”

O general Abílio Kamalata ‘Numa’, uma das mais influentes figuras militares do antigo exército da UNITA, respondeu às declarações de Higino Carneiro no programa ‘Café da Manhã’, da Luanda Antena Comercial (LAC), de 7 de Fevereiro deste ano, durante a qual foram feitas várias afirmações sobre os meandros e personalidades ligadas ao conflito armado angolano.

Durante a conversa, conduzida pelo jornalista José Rodrigues, Numa foi um dos visados do general Higino Carneiro, ao considerá-lo como uma pessoa na UNITA sem ‘autoridade moral’ para falar da Batalha do Kuito Kuanavale, por ter estado, à data dos factos, refém do comando de orientações dos sul-africanos.

“Arvorar-se em conhecer melhor a UNITA do que os seus dirigentes e arrogar-se a determinar que Kamalata Numa não era a pessoa indicada na UNITA para falar sobre a Batalha do Kuito Kuanavale, porque à altura dos factos era uma ‘marionete’ dos sul-africanos, é no mínimo razão de alarme de quem nunca vai perceber os sinais dos tempos”, escreveu Kamalata Numa, num artigo intitulado ‘Angola – A crise de legitimidade lacrada’.

O antigo dirigente das FALA, o braço armado da UNITA, respondeu à letra à maior parte das afirmações feitas durante a entrevista, tendo mesmo deixado um conselho ao também general: “Por favor, Higino, cresça e apareça. Em Angola a mentira que tem alimentado a vossa existência já não faz caminho”.

À LAC, o general Higino Carneiro defendeu que é chegada a “hora dos dirigentes da UNITA abandonarem as ideias que tinham de Muangay e da Jamba”, argumentando que “o momento é outro”, pelo que se a UNITA quiser participar do jogo democrático em Angola terá de ser coerente com os seus princípios.

A esta afirmação, que Numa classificou como “soberba” e “petulante”, o general da UNITA rispostou arguindo que “não foi o Projecto de Muangay quem fez de Angola um dos países mais violentos de África; dos mais corruptos do mundo; dos que exibem piores indicadores de desenvolvimento humano; dos que mais violam a sua Constituição, daí em diante sempre exibindo indicadores políticos, económicos, sociais e culturais que envergonham todos os angolanos”.

“O senhor general tentou impingir à UNITA a ideia de querer dividir o país durante a guerra com ajuda dos sul-africanos, quando os objectivos dessa luta contra os cubanos e os russos, naquela altura, estão bem demonstrados nos ‘Acordos de Bicesse’. Por isso, é miopia institucional induzida pelo MPLA, pelos seus dirigentes e quadros na manipulação da verdade para produzir tantas inverdades”, rebateu Numa, disparando a seguir:

“É mentira grosseira de quem intencionalmente tenta encobrir a razão daqueles que queriam transformar Angola em trincheira firme do expansionismo dos ideais internacionalistas da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS, na África Austral”.

Respondendo, quase na mesma moeda, Kamalata Numa desvalorizou o papel do general Higino Carneiro, considerando que, “como militar, não se conhece dele feitos de grande comandante, tão-pouco se conhece estar à altura dos grandes generais das ex-FAPLA, como João de Matos, Vietname, Faceira, Ngutu, Farrusco, Sakayoya, Eusébio de Brito, Valeriano, Sá Miranda, Pepe de Castro, Mártires Correia Mbanza, Jack Raúl, Seteko, Sousa e outros”.

Para Kamalata Numa, como político, Higino Carneiro “seguiu a marca de incompetência de muitos outros governantes de Angola do pós-independência, deixando pelo caminho o rasto de obras descartáveis em todo o país, a pobreza de milhões de angolanos e com parte significativa a viver na indigência; a legalização da corrupção em benefício de uma minoria de ditadores que colocaram Angola a deriva e sem rumo”.

O general Higino Carneiro chegou a fazer as suas declarações nas vésperas do lançamento do seu segundo livro, intitulado “As Grandes Batalhas e Operações Militares Decisivas em Angola”, lançado a 10 de Fevereiro. Em 2022, o também antigo dirigente do MPLA e governante lançou o seu livro de memórias ‘Soldado da Pátria’.

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