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Quinta, 15 Dezembro 2022 21:30

Visita de João Lourenço aos EUA é “passo importante” para política externa angolana - académico

A visita do Presidente angolano, João Lourenço, aos Estados Unidos da América (EUA) é um “passo importante” no sentido de diversificar a sua política externa e diminuir a influência da Rússia e China, afirmou hoje o académico Assis Malaquias.

O presidente de Angola chegou no sábado a Washington para participar na Cimeira EUA-África, tendo-se encontrado na terça-feira com o secretário de Estado, Antony Blinken, e secretário da Defesa, Lloyd Austin.

Para o reitor académico da Universidade Nacional de Defesa, “trata-se de um passo importante” e defendeu que "uma estratégia clara de diversificação das relações externas pode ser útil para Angola".

"Nós, aqui nos Estados Unidos, gostaríamos de continuar a ajudar Angola, continuar a encorajar Angola a manter-se no caminho certo. O Presidente Lourenço deu alguns passos iniciais muito importantes na direção certa”, disse o académico angolano.

O especialista em Economia de Defesa falava no Forum Angola, organizado por videoconferência pelo Instituto Real de Relações Internacional (Chatham House) e Fundação Konrad-Adenauer-Stiftung.

Na sua intervenção, Assis Malaquias adiantou que Washington vê com preocupação a proximidade entre Luanda e Pequim, à semelhança do que aconteceu no passado com entre Angola e a União Soviética.

“Há lições importantes que podem ser aprendidas com o fracasso em diversificar completamente as relações externas” enfatizou, referindo consequências para o desenvolvimento e segurança do país.

No mesmo painel sobre relações internacionais, a antiga embaixadora da Suécia em Angola Ewa Polano disse que já existiam outros sinais de uma “mudança de paradigma” na política externa angolana pela mão de João Lourenço.

Na origem, acredita, está a invasão da Ucrânia pela Rússia e recordou como em outubro Angola votou a favor da resolução sobre integridade territorial da Ucrânia na Assembleia Geral das Nações Unidas, depois de se ter abstido em resoluções anteriores que condenavam a Rússia.

Esta votação foi precedida por uma conversa telefónica alguns dias antes com o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, a primeira deste o início do conflito, o qual o chefe de Estado angolano só tinha abordado antes com o Presidente russo, Vladimir Putin.

“Vejo isso como uma decisão muito importante tomada pelo Presidente Lourenço”, afirmou a diplomata sueca, que também destacou um distanciamento de Angola da China, nomeadamente atribuindo alguns grandes projetos de infraestruturas a empresas ou consórcios europeus.

Para Ewa Polano, "existe uma tendência para a sua diminuição, esta está lentamente a chegar, e isto é muito bem-vindo para nós da União Europeia”.

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