Quinta, 02 de Dezembro de 2021
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Terça, 28 Setembro 2021 12:29

João Lourenço e Eduardo dos Santos precisam um do outro

O regresso do antigo Presidente a Angola abre caminho a uma reconciliação com o seu sucessor. Não vai ser fácil, mas tanto João Lourenço como José Eduardo dos Santos, por razões diferentes, precisam de selar os termos de um entendimento.

Neste Radar África, tem-se insistido, há dois anos, que João Lourenço e José Eduardo dos Santos estão condenados a entender-se. No início do processo da separação litigiosa, a força estava do lado do atual Presidente. Agora, por força de uma crise económica, do desgaste governativo e de erros estratégicos, os pratos da balança reequilibraram-se.

João Lourenço não se pode dar ao luxo de condenar José Eduardo dos Santos ao ostracismo e este, em defesa do passado, mas também perspetivando o seu legado e o futuro da família, não poderá permanecer “ad eternum” em silêncio. Um condição fundamental para a reaproximação é a de que o antigo chefe de Estado reconheça, de uma vez por todas, o poder do atual inquilino do Palácio da Cidade Alta.

Aliás, a discrição com que tanto o MPLA como a UNITA têm abordado o regresso de José Eduardo dos Santos a Angola é eloquente sobre a influência política do ex-presidente da República. Na realidade, poucos se atrevem a emitir opinião sem antes saberem os passos que serão dados por João Lourenço e José Eduardo dos Santos.

A saída deste labirinto passa por encontrar uma via na qual nenhum dos protagonistas dê parte de fraco. Para João Lourenço, a solução é mais intricada, na medida em que terá de conciliar uma aproximação a José Eduardo dos Santos com a manutenção da imagem que cultivou junto da comunidade internacional de combatente contra a corrupção, uma prática comum durante a permanência no poder do seu antecessor. Ou seja, um entendimento não pode significar uma aceitação dos erros do passado

Tréguas da família

José Eduardo dos Santos, aparentemente, tem menos a perder. Todavia não pode correr o risco de lhe serem atribuídas responsabilidades numa eventual erosão do MPLA que abra caminho à UNITA. Para se manter como uma referência do país, o antigo chefe de Estado tem de dar o seu beneplácito a João Lourenço.

No meio desta intricada floresta, sobressaem ainda os problemas relacionados com os filhos de José Eduardo dos Santos, em particular José Filomeno dos Santos (já condenado pela justiça), Isabel dos Santos e Tchizé dos Santos. O ex-presidente terá de pedir às filhas que deem tréguas a João Lourenço para facilitar um pacto entre as partes, algo que até parece já estar a acontecer avaliando o comportamento de ambas nas redes sociais.

Aliás, é crível que mandatários do atual e do ex-presidente estejam já a negociar nos bastidores os termos de um encontro entre ambos, condição essencial para o início de uma trajetória de apaziguamento.

Os holofotes estão agora virados para o regresso de João Lourenço a Angola, depois de uma viagem de Estado durante a qual passou por Washington, Nova Iorque e Madrid.

Jornal de Negócios

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