Sábado, 31 de Outubro de 2020
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Quarta, 23 Setembro 2020 23:34

Edeltrudes Costa está com os dias contados

Ao fim de dois dias, a única coisa que se sabe é que o director de Gabinete do Presidente da República será exonerado.

Provavelmente, antes do fim de semana.

Desde a emissão da reportagem da TVI, na segunda-feira, não houve até aqui qualquer reacção da Presidência da República – o que se impõe que aconteça, pois na reportagem foram referidas decisões que engajam o Presidente João Lourenço.

Por outro lado, e ao contrário do que aconteceu em Fevereiro, quando o Expresso deu à estampa matéria sobre Edeltrudes Costa, desta vez o visado não reagiu. Em Fevereiro, Edeltrudes defendeu-se, mal é verdade, porque está numa posição indefensável, mas defendeu-se.

Agora que está mais comprometido, enlameado em actos que amarram o Presidente da República, resolveu ficar calado, à espera que a crise passe. Não vai passar.

O vergonhoso silêncio da comunicação social pública pode transmitir a Edeltrudes a ilusão de que a reportagem da TVI não extravasou as paredes da estação televisiva lusa. Ilusão.

A reportagem foi vista em directo por milhares de angolanos e está a ser amplamente reproduzida nas redes sociais. Portanto, não é prudente menosprezar o seu impacto em Angola.

Tal como aconteceu com Isabel dos Santos, Zenu, Jean Claude Bastos de Morais, Valter Filipe, Jorge Pontes e agora com São Vicente, para Edeltrudes Costa, as coisas antes de melhorarem, hão de piorar pelo menos uma vez. Esta é a sina que persegue quem representa poder, quem tenha fama.

Uma reacção de Edeltrudes Costa nunca mataria o assunto, mas reduziria a pressão sobre a pessoa a quem serve.

Na verdade, de Edeltrudes Costa não se espera uma reacção qualquer. Impõe-se que ele próprio force a demissão, pois perdeu condições para continuar a servir quem o nomeou. Ele também já não tem condições para continuar a impor-se perante as pessoas que tem sob suas ordens.

Uma coisa parece inevitável: tarde ou cedo haverá uma declaração dos seus advogados.

Por fim, duas perguntas: por que razão mm agente político angolano, que usa bancos e advogados portugueses acreditou que operações de mais de 20 milhões de dólares iriam passar no “barulho”?

Portugal está sujeito à vigilância da União Europeia e o antigo poder, que Edeltrudes tão bem serviu, tem toupeiras la dentro. Foram essas que ajudaram a entrega-lo.

Uma última pergunta: por que razão o palácio presidencial pensou que tinha a TVI sob controlo?

Correio Angolense

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