A estabilidade fiscal, económica e financeira, e sobretudo a segurança jurídica, só terão êxito com a despartidarização do aparelho de Estado.
É fundamental construir caminhos para que as reformas políticas e administrativas permitam criar mecanismos capazes de gerar a tão ambicionada economia diversificada.
Não se podem tolerar políticas públicas de desinformação que sancionam negativamente a esmagadora maioria do povo angolano. As televisões e rádios em Angola têm agido como agentes políticos antipovo.
Não se poderá mudar os paradigmas de Angola se continuarmos a respeitar a opinião torpe de quem nos oprime. O cidadão, e em particular a juventude, devem ser o pesadelo agressivo de todos aqueles que querem continuar a roubar o sonho libertário do povo oprimido.
Sabemos todos que aqueles que roubam as riquezas e o resultado financeiro do erário em nome de Deus devem ser combatidos à exaustão, pois até o próprio Deus já os constituiu em inimigos da liberdade e da fé do povo.
É uma autêntica bizarrice, inaceitável a todos os níveis, que o Papa Católico Romano se faça acompanhar em público, no interior do papamóvel, na companhia de um ditador confesso e mentiroso compulsivo. Angola é um Estado constitucional laico e, por assim ser, não é aceitável nem permissível que o presidente da ditadura angolana tenha a permissão do Papa para se apresentar perante os angolanos na companhia de tão caricata e impopular personagem.
Para os angolanos atentos, essa atitude do Santo Padre não é aceitável.
A presença de João Lourenço no interior do papamóvel cheira a tentativa de branquear a imagem desbotada do tirano.
Fazer-se conduzir lado a lado com o Sumo Pontífice foi um horripilante desastre para o angolano religioso não católico e até mesmo para os católicos de raiz.
Esse gesto representou um claro atentado insultuoso à consciência dos angolanos e à Constituição angolana.
Mesmo tratando-se de uma constituição atípica, os realizadores da visita papal deveriam ter tido maior respeito e também mais cuidado para com o povo crente e não crente.
Perguntas incómodas têm de ser frontalmente feitas e encaradas com tolerância pacífica: como ficará o cidadão não católico face à insultuosa presença do ditador João Lourenço no interior do papamóvel? O que restará do país religioso após a visita do Papa? O chefe da ditadura sairá dessa visita mais humano e um governante mais competente?
É claro que não.
Porém, é preciso não alimentar esperanças vãs que não se traduzam em grandes realizações e em absolutas verdades governativas.
O país político está no inferno e vai continuar pessimamente mal enquanto João Lourenço se mantiver na presidência do MPLA e da República.
O país continuará retrógrado se deixarmos os "capainhas" da vida conduzirem plenamente o processo eleitoral congregacional, sem que sejam deliberadamente sujeitados a uma fulminante prova de fogo da parte da militância activa organizada.
Que fique bem esclarecido: essa gente corrupta foi escolhida a dedo para roubar a eleição presidencial do MPLA, além de também baralhar e dar as cartas no 11.º Congresso do MPLA para manter o actual presidente incólume na presidência do partido.
Pois o objectivo principal é o de manipular as eventuais candidaturas múltiplas.
É importante alertar os candidatos à cadeira maior do MPLA que estejam superatentos.
É preciso manter avivado o interesse da militância pela luta das múltiplas candidaturas; é fundamental chegar forte ao Congresso.
É preciso injectar cuidadosamente a esperança a todos os adeptos das múltiplas candidaturas, para que não caiam em ardilosas ciladas. Pois os gestores do Congresso foram todos escolhidos pela actual direcção do MPLA, sem consultar a militância extra-comité central nos CACs.
É importante evitar que a militância jamais embarque no jogo sujo dos lourencistas.
Eles já têm a máquina montada para adulterar o resultado final do pleito.
Há um ditado narrado pelo jornalista meu amigo William Tonet, que diz o seguinte: só porque o leão não comeu carne por um dia, não significa que o paquiderme se tenha tornado vegetariano.
Nunca se deve confiar no ladrão, menos ainda pensar que ele não irá defraudar o Congresso.
Não nos esqueçamos do que aconteceu nas eleições da JMPLA e da OMA, onde a fraude eleitoral e a ameaça despudorada estiveram presentes para eleger na JMPLA o "Capapinha filho", candidato escolhido a dedo pelo presidente do MPLA. Da mesma forma, foi público o cancelamento de candidaturas para que restasse apenas uma candidata para concorrer à presidência da OMA — a escolhida foi a candidata do gosto do chefe do partido. Isso mostra que a fraude não se constituiu no acto de votação; a fraude é um processo cuidadosamente delineado.
Assim sendo, as candidaturas devem conseguir mais do que as cinco mil inscrições de militantes recomendadas, devem cumprir rigorosamente todos os requisitos inerentes à legalização das suas candidaturas para concorrer à presidência do MPLA.
Contudo, a documentação deve ser apresentada apenas três a cinco dias antes da data estipulada. Assim evitam-se desnecessários contratempos.
Estamos Juntos
Por Raúl Diniz

