Domingo, 25 de Outubro de 2020
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Quinta, 30 Julho 2020 10:10

O revisionismo Multilateral de “Donald Trump”

Há quatro anos, fiz um artigo sobre o sujeito “Donald Trump”, que seria o 45.º presidente dos Estados Unidos de América, “Trump” era um desconhecido na política, mas era um homem bem-sucedido na indústria de entretenimento e no negócio imobiliário.

Na altura, manifestou a intenção de concorrer nas primárias como candidato à presidência da América e do Partido Repúblicano, estavam na corrida dois aspirantes de ascendência hispánica, Ted Cruz e Marc Rúbio de origem Cubana & CIA, esses 3 sujeitos eram os mais visíveis, não conheço América, fisicamente, mas, modesta parte, tive a oportunidade de trabalhar com americanos, portugueses e brasileiros. Os americanos são de longe a forma como articulam e sistematizam às suas capacidades e potenciam talentos no Mundo.

A política externa americana é bastante fascinante, tenho algum domínio holístico e geográfico, a forma como articulam a sua política externa no mundo, desde lobbys, política externa, economia, ou seja, todo mundo deseja namorar à loira política dos olhos azuis da terra do “Uncle Sam“.

Ter relações privilegiadas com América é sinónimo de grandeza e de charme político ao nível do sistema internacional, não há dúvidas sobre essa matéria nem é consumo de debate sobre o assunto, porque existe um senso comum.

Nessa abordagem de quatro anos “atrás”, peguei na folha do CV dos três candidatos, fiz uma analogia de que tipo de sociedade a América representa, e concluí o seguinte:

Uma sociedade excessivamente “hollywoodesca”, inexoravelmente cansada do “Stableshment” iria votar ao Trump nas primárias e automaticamente destronar a dama de ferro do momento, na altura “Hilary Clinton” para às presidenciais, ou seja, o futuro presidente da América seria nada mais, nada menos do que um homem de penteado apalhaçoado e até engraçado, que fez do populismo a sua bandeira de eleição como um “Anti-Sistema” puro e convicto.

Trump, nos debates, era confuso e pouco assertivo, contudo tinha pragmatismo, e carregava o melhor Slogan de campanha, “Lets Make America Great Again” este slogan de bandeira eleitoral, arrastava multidões como um tsunami, nos grandes círculos  eleitorais, Florida, Wisconsin, Arizona, Michigan etc., o homem não tinha um discurso esclarecedor como um “RealClearPolitic”, era um Populista e Anti-sistema assumido, com discursos atabalhoados e sem clareza, que se impõe, contudo tinha na sua bagagem ar de um bom “Play Maker”, que iria fazer uma graça diferente, não só como um bom homem de negócios, porém como, também, um grande gestor, bastava dar algumas piadas e impactar os seus seguidores e apoiantes.

Se eu fosse cidadão americano, descomplexado com a síndrome racial, Trump deveria ser lembrado como um dos melhores presidentes da América, um verdadeiro patriota do “Allwais America First”, em defesa dos interesses americanos. Um grande jogador de Xadrez, que não dá ponto sem nó, tão logo agarrou o poder, apercebeu-se logo do perigo Chino-amarelo.

Trump fez promessas eleitorais, formulou um novo programa para industrilaização do país, alavancou algumas minas de carvão e algumas indústrias que estavam em abandono absoluto, a fim de impulsionar a economia e dar emprego a classe dos indivíduos menos escolarizados. Trump estava a cumprir o seu programa eleitoral e o seu projecto de sociedade sem lacunas e ambiguidades.

Relações com a China

Era necessário frear o intervencionismo e consolidar o Determinismo americano.

Trump foi acertivo e politicamente correcto em relação ao comércio com a China. Era inevitavel fazer “Tábua Raza” e inverter os papéis para própria sobrevivência da maior economia do Mundo, e impunha-se um revisionismo externo, político e económico, uma questão de Soberania e Segurança Nacional, ou seja, o inimigo público “número um” para nação mais poderosa do Mundo é a China. Se por um lado, Nixon e Kissinger deram luz verde à Deng, para uma maior abertura com o ocidente, as administrações anteriores até, um certo ponto, falharam na prudência bilateral (Bill Clinton, George W Bush e Barack Obama), os Estados Unidos tinham o dever imperial de redireccionar a sua estratégia de política externa com o dragão asiático é para ontem e urge.

Há razões objectivas para o efeito

A República Popular da China libertou-se em quase todas às áreas do saber, desde a educação, ciência, know how e tecnologia, e começa a dar sinais de pujança na indústria militar, graças a sua capacidade de inteligência, espionagem e cooperação estratégica com a Rússia.

Os Russos, para sobreviverem às sanções impostas pela Europa, vão vendendo alguns segredos da sua indústria militar à China, isso é perigoso para hegemonia Americana, não está nos planos da era “Putiana” a confrontação política, militar e económica até idiológica com o ocidente, a Rússia de Putin procura, apenas, desenvolver a sua economia a ser menos dependente e fortalecer os seus interesses estratégicos no Mundo, na potenciação de uma nova doutrina militar moderna e “dissuasora” há todos os níveis, desde a Marinha, Exército, Forças Aeroespaciais e uma autonomia redudante da internet com capacidade e defesa no que concerne à Cyber-segurança.

Já a China é totalmente diferente, pouco a pouco começa a dar sinais de reescrever uma nova filosofia de pensamento, para uma nova ordem Mundial.

A filosofia do Formigueiro, Cágado e de Camaleão caminha a passos largos com muita frieza e firmeza, e começa a rugir já com alguma arrogância.

Alguém poderá imaginar num futuro próximo e breve uma nação comunista, sendo a mais poderosa do mundo, com o poder Nuclear, poder Populacional de mais de Um Bilhão e Trezentos e Noventa e Três Mil habitantes, com uma disciplina e filosofia milenar de “Confúncios e Sun Zum” etc., com um surto demográfico assustador e superior a população europeia e americana, com uma economia robusta com excedente, para dar e vender crédito para tudo quanto é canto no planeta. Sem muita burocracia das ditas boas práticas e exigências nos moldes ocidentais?

Pergunta que não se cala, para um líder ocidental essas variáveis citadas são tremendamente assustadoras e arrepiantes. Uma boa parte da sociedade chinesa está escolarizada com uma educação de qualidade, com autonomia científica, na qual o céu já não é o limite. Recentemente, reivindicaram ter chegado no lado mais oculto da lua, onde os concorrentes, Rússia e Estados Unidos, ainda, não chegaram, ou seja, a revolução cultural de Mao ficou totalmente para atrás, expurgada e higienizada, para os chineses, o campessinato e os arrozais servem, apenas, de arquivo morto como filosofia e mémoria do passado.

Os objectivos pelos quais a longa marcha de Mao, com alguns atrasos e insuficiências de mobilidade, permitiu dar energia e combustível ao grande reformista “Deng Chao Ping”, para que se fossem competentemente alcançados os objectivos estratégicos do seu posicionamento geográfico no mundo, esses desígnios foram compensados de forma esclarecedora e efectiva. Hoje, depois de mais de quatro (4) décadas de incerteza, no seu desenvolvimento industrial, chegou, finalmente, a hora de mandar um recado ao mundo, ou seja, quando se trata de poder e hegemonia, não há santidade religiosa, deve-se impor e exercer essa autoridade.

Revogação dos Acordos  Militares e Política Externa

Ao abrigo do Direito Internacional, quando se ratificam os acordos de âmbito Multilateral entre Estados, o objectivo e a letra fulcral é o respeito escrupoloso dos tais acordos. Mas quando se identificam do ponto de vista prático nocividades e efeitos colaterais, que poderá por em causa o declínio e o interesse nacional de um Estado forte e avisado, com uma liderança sábia, abragente e universal, meus senhores ( POR FORÇA DAS CIRCUNSTÂNCIAS NÃO HAVERÁ NADA QUE IMPENÇA A REVOGAÇÃO DOS TAIS ACORDOS, É POLÍTICA, “PACTA SUNT SERVANDA” SERÁ APENAS UM INSTRUMENTO DE PAPEL)

Os Estados Unidos sempre seguiram à risca o pensamento estratégico de um dos maiores estratega militares do séc. XIX, que andou nas guerras Napoleónicas, o prussiano “Carl Von Clausewitz”, na perspectiva de que: A GUERRA É A CONTINUAÇÃO DA POLÍTICA POR OUTROS MEIOS. Foi essa doutrina alavancada pelo presidente “James Moroe” no século XIX, no auge do imperialismo procuravam os “Espaços Vitais” no objectivo de  alargar os seus extra-territórios, redesenhar a geografia dos mapas e aumentar, assim, a sua base de influência no Mundo.

Hitler também fez a mesma coisa, rompeu com o tratado de Versalles e o célebre Pacto-Germánico dito Pacto “MOLOTOV” atravez do seu acessor  de guerra. O Geógrafo e estratega militar “Karl Allshoffer” aguçou o apetite espancionista de Hitler para invasão da Europa.

Nessa teia de pensamento, a administração Trump imprimiu um Neo-realismo de relações no mundo, de não confrontação e invasão de terras alheias, mas sim de gestão das suas bases já existentes, porque eram muito dispendiosas para economia americana, apercebeu-se do nível da revitalização da indústria bélica da Rússia e da China, há quem diga: “que voltamos na era da corrida armamentista, dos tempos áureos da “Guerra Fria”, o vulto do armamento Russo e a pro-actividade chinesa começa a assustar os estrategas militares americanos, e administração Trump está atenta e a monitorar através dos seus canais formais e informais de inteligência sobre esta matéria de elevada complexidade. Para os especialistas em Relações Internacionais, Geoestratégias e Pensólogos em Ciência Política ou Política Internacional caso não haja preconceito no meu artigo, sabem que a minha narrativa tem substâncias lógicas de reflexão.

A administração Trump durante o seu mandato na casa Branca rompeu vários acordos militares, Trump de louco não tem nada, é um estratega de agir em consequências dos acontecimentos, para Trump, é preferivel normalizar acordos económicos com Kremlym do que com Pequim, nesse seu primeiro mandato, não pode arriscar por causa dos seus adversários democratas que o acusam de ter ganho as eleições com o apoio dos piratas russos. Tão logo consiga o seu segundo mandato, Trump irá revogar alguns acordos económicos com a Rússia, sem, contudo, mexer nos acordos Militares, porque é uma situação inflexível, sobre o acordo dos céus abertos com a Rússia e os restantes Países, foi uma decisão arriscada, até um certo ponto, pois os estrategas militares fizeram uma avaliação para evitar espionagem, o acordo de céus livres permitia maior vulnerabilidade de espionagem entre os Estados, no reconhecimento de bases e pontos estratégicos dos adversários, até aí Trump foi positivamente prudente.

- O Tratado das Forças Nucleares de Alcance Intermediário de 1988;

- O Tratado START, que limita o número de Mísseis Nucleares entre os Dois Estados;

- O acordo das Armas Nucleares com Irão;

- O Tratado dos Céus Abertos.

- Acordos Comerciais com a Europa e a China

Neste resumo da revogação dos tratados, os estrategas americanos apercebendo-se da evolução dos seus parceiros directos, irá permitir que os americanos ganhem tempo e revolucionem o seu arsenal bélico de Mísseis de Longo alcance, e de Armas Hipersónicas. Tendo em conta que os russos estão na frente nessa corrida, tão logo consigam equilibrar essa supremacia, tenho à certeza “absoluta” de que irão redefinir os acordos, é uma questão de cálculos.

Seu Antecessor Barack Obama

Para alguns analistas de política internacional, assim como também subscrevo e concordo, “Obama” foi  uma anedota, não deixou uma doutrina de engajamento construtivo em relação ao mundo. Falava bonito, discursos folclorizados, imbuídos de paixões e utopia.

Para nós os africanos, jubilamos de emoção e muitos até choraram pela ocasião atípica, ou seja, pela primeira vez na história conteporânea da humanidade, o tal mundo civilizado, conservador e impulsionador do comércio negreiro de escravos, elegia um presidente negro. Obama mandou recado aos líderes africanos, “África não Precisa de Líderes Fortes, mas sim de Instituições Fortes” ficou por alí, preocupou-se mais em rearmar a Europa, fruto do antagonismo com à Russia, mudou o “Statuos Squo” em alguns países do leste, principalmente à Ucrania. Caos na Líbia, legalizou o casamento de pessoas do mesmo sexo, em fim, etc..

Incerteza Eleitoral e Popularidade em Baixa

A popularidade do presidente está em baixa em quase dois dígitos, um eleitorado bastante polarizado e sentimentalista, por causa do embate da Covid-19, os Democratas têm o racismo como bandeira eleitoral, não consigo visualizar uma estratégia real do partido Democrata, “Biden” anda escondido na sua residência esfregando às mãos de que, já tem a cereja no topo do bolo, para derrotar “Trump” em Novembro próximo, quanto mais à Pandemia da Covid-19 mata e destrói o tecido social, económico, Americano, mas vantagens para os Democratas.

O Partido Democrata confunde-se com o “Partido Social Democrata Europeu” do ponto de vista ideológico, com simpatia à esquerda moderada e do centro, quanto a essa abordagem se evita discutir, nem se questiona o óbvio. Os Democratas fizeram birra e preteriram o populista “Bern Sanders” um esquerdista radical convicto, com uma agenda política que colide em contradição da alma e do espírito societário americano.

Vale sublinhar, em síntese, que o artigo de opinião remete uma reflexão do mundo e da visão do actual presidente americano, em função de várias circunstâncias contextuais exógenas e endógenas do mundo, o sujeito em questão poderá não ser reeleito em Novembro, caso se confirme, deveria ser lembrando pela firmeza vertical com que se bateu a favor do rumo dos ideais da grandeza da política americana, visado pelas circunstâncias da hegemonia do seu País em relação ao mundo. E quis sempre defender, em primeira instância, os interesses da América em relação à China.

A história poderá registar, em função da pandemia da Covid-19, o 46.º Presidente Americano a ser eleito, sentado em casa com a sua equipa de plateia em copas, sem fazer comícios e campanhas coloridas.

Por Crisóstomo W Tchipilica

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