A exclusão da candidatura de Higino Carneiro à liderança do MPLA poderá ter consequências políticas que ultrapassam a disputa interna do partido no poder, podendo criar oportunidades para a oposição e para os sectores da sociedade civil que defendem a alternância política em Angola. A leitura foi feita por Jonas Sebastião, vice-presidente do Movimento Social para a Mudança, e pela activista e socióloga Luzia Moniz, durante uma entrevista ao programa Radar DW.
O jornalista e activista angolano Rafael Marques de Morais defende que a democracia nunca se consolidou no seio do MPLA, sustentando que a ausência de competição interna pela liderança do partido constitui uma característica estrutural da organização desde a sua fundação.
O general na reforma Higino Lopes Carneiro, pré-candidato à presidência do MPLA, lançou um apelo à unidade interna do partido, defendendo que o futuro da organização depende da coesão entre os seus militantes, numa altura em que se aproxima o IX Congresso Ordinário, marcado para os dias 9 e 10 de Dezembro.
A vice-presidente do MPLA, Mara Quiosa, defendeu que as redes sociais se tornaram um dos principais palcos da disputa política em Angola, afirmando que, na actualidade, "um telemóvel na mão de um jovem é mais forte do que mil megafones nos comícios".
O antigo primeiro-ministro angolano e ex-secretário-geral do MPLA, Marcolino Moco, assinalou este domingo o seu 73.º aniversário com uma reflexão sobre o percurso político de Angola e de África, defendendo a necessidade de um pacto nacional de paz e reconciliação que permita ultrapassar os erros do passado e construir um futuro mais inclusivo.