Quarta, 05 de Agosto de 2020
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Quinta, 02 Julho 2020 18:52

Médica recusa que mortes por covid-19 em Angola sejam associadas a mau atendimento hospitalar

A médica Maria das Dores Mateta disse hoje que o maior número de mortes associadas à covid-19 em Angola, comparativamente a outros países lusófonos africanos, não está relacionado com o atendimento médico, mas a doenças preexistentes e à genética.

Angola é, entre os países africanos de língua portuguesa (PALOP), o que tem menor número de casos de covid-19, mas o que registou mais óbitos.

Até quarta-feira registaram-se em Angola um total de 291 casos positivos, com 15 óbitos e 93 pacientes recuperados, enquanto Cabo Verde tem 1.301 casos e o mesmo número de mortos que Angola, São Tomé e Príncipe 717 casos e 13 mortos e Moçambique 918 casos e seis óbitos.

Questionada pela agência Lusa sobre a letalidade em Angola, comparativamente com outros PALOP, Maria das Dores Mateta associou o problema ao desconhecimento dos cidadãos sobre o seu estado de saúde.

“Quando olhamos para os outros países que têm mais casos que o nosso e menos mortes não vamos olhar como uma negligência do nosso país ou falta de atenção, temos que olhar para o indivíduo que acorreu óbito, como foi”, indicou a médica angolana.

Segundo a médica infecciologista, “muitas pessoas não conhecem o seu estado de saúde, porque não têm o hábito de fazer um ‘check-up’ ou não têm a possibilidade”.

“Há muitas doenças que as pessoas portam em seu organismo sem que elas mesmas saibam e as doenças, elas abraçam-se”, disse Maria das Dores Mateta, salientando que quando já existe uma doença e outra surge, “ainda que esta esteja enquista, adormecida, ela é exacerbada”.

“Nós já temos as nossas doenças endémicas, somos um país que temos doenças endémicas, as quais conhecemos e o Governo cuida delas, mas temos outras doenças que ainda são negligenciadas, estão a ser chamadas agora”, frisou.

A médica realçou que, no mundo, há doenças emergentes e reemergentes, “e tudo isso somado, faz com que a fragilidade de um paciente em relação ao vírus seja maior, dependendo também da genética de cada uma das pessoas”.

A especialista notou que, na medicina, “trata-se o doente, e não a doença”, chamando a atenção que, por isso, mesmo no caso de doenças com tratamento específico e um arsenal grande de medicamentos, muitos pacientes morrem apesar de serem tratados.

“Por exemplo, a malária. Quantos de nós temos diariamente a malária e tomamos apenas o ‘Coartem’ em comprimidos, mesmo em casa, e há aquelas pessoas que morrem porque são acometidas pelas formas graves da malária? Umas, mesmo diante das formas graves da malária, tomando os antimaláricos conseguem sobreviver”, exemplificou.

Nesse sentido, reiterou, “não é culpa de ninguém ou que não se está a dar a atenção devida, mas é porque em medicina é mesmo assim, trata-se do doente e não da doença”.

Outra particularidade, observou ainda a médica, tem a ver com o facto de, para uma mesma doença, os pacientes serem medicados com fármacos diferentes, como é o caso da hipertensão.

“Porque cada paciente recebe melhor uma fórmula de medicamento, temos que tomar sempre isso em consideração”, vincou.

Maria das Dores Mateta sublinhou a importância de o indivíduo conhecer o seu estado de saúde, ser seguido por um médico e cumprir as suas orientações, porque vai facilitar uma melhor reação perante a infeção.

“Um doente asmático ou hipertenso, que cumpre com a sua medicação, quando for infetado, comparado com outro paciente que tem a mesma condição de saúde e que não cumpre com a medicação terá um melhor prognóstico", concluiu.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 516 mil mortos e infetou mais de 10,71 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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