Sexta, 25 de Setembro de 2020
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Sábado, 18 Janeiro 2020 16:23

Caso Isabel dos Santos: Quem é a ‘superjuíza’ que julga o arresto?

Henrizilda do Nascimento nasceu pobre, estudou em Portugal, é benfiquista e gosta de dar um pé de dança nas noites de Luanda

Tem 39 anos. E é responsável pelo processo que decidirá pelo confisco ou não do império financeiro da bilionária russo-angolana Isabel dos Santos, filha do ex-presidente angolano, José Eduardo dos Santos. Henrizilda Tomé Pires dos Santos do Nascimento, ou simplesmente ‘Giza’, como é carinhosamente tratada pelos familiares e amigos, tornou-se juíza em 2010, aos 29 anos.

Chegou à magistratura judicial precisamente no ano em que o antigo chefe de Estado dava instruções à empresa pública de diamantes, hoje denominada Sodiam, para a comercialização de diamantes no exterior do país, numa parceria milionária que, segundo a Justiça angolana, terá favorecido a filha, Isabel dos Santos, e o genro, o congolês Sindika Dokolo.

Antes, a ‘superjuíza’ — alcunha ganha justamente por ser destemida e estar associada a casos de grande impacto — exerceu advocacia, embora não tenha o nome inscrito na Ordem dos Advogados de Angola (OAA), de acordo com fonte oficial da instituição. Descrita por colegas e funcionários judiciais como “juíza incorruptível”, “frontal” e “coerente”, a magistrada destaca-se nos grandes dossiês que chegam à 1ª Secção do Cível e Administrativo do Tribunal Provincial de Luanda.
É responsável por um outro processo de “ação declarativa de condenação”, movido pela holding portuguesa do Banco Espírito Santo (BES), contra o banqueiro Álvaro Sobrinho, ex-presidente da Comissão Executiva do extinto Banco Espírito Santo Angola (BESA), e contra os sócios angolanos da Geni, propriedade do general Leopoldino Fragoso do Nascimento ‘Dino’, e da Portmill, pertencente ao antigo patrão da Sonangol e ex-vice-presidente de Angola, Manuel Domingos Vicente, e ao general Hélder Vieira Dias ‘Kopelipa’, o então todo-poderoso chefe da Casa Militar e da Segurança do Presidente.

Vogal no Conselho Superior da Magistratura Judicial desde janeiro de 2017, a juíza Henrizilda do Nascimento fez a licenciatura na Faculdade de Direito da Universidade Lusófona, em Portugal, que concluiu em 2000. Nascida no seio de uma família humilde e residente num apartamento de renda social, no município de Belas, na capital angolana, é casada e mãe de duas meninas. Católica devota, é uma observadora atenta à política e à imprensa, tanto a angolana, por razões óbvias, como a portuguesa. Lê de tudo um pouco, desde o Expresso ao Maka Angola, interessando-se ainda pelo que escreve a imprensa cor-de-rosa.

Natural de Benguela, província costeira angolana, é uma conhecedora profunda da realidade angolana e amante da leitura. Tanto assim que, sabe o Expresso, em 2015, deu toda a atenção ao livro “Os Donos Angolanos de Portugal”, da autoria de Francisco Louçã, Jorge Costa e João Teixeira Lopes, que relata ao pormenor “o processo de reciclagem da riqueza apropriada pela família de José Eduardo dos Santos e pela elite que o rodeou”. Outro livro ‘devorado’ pela juíza é “A Face Oculta de Fidel Castro”, que envolve o líder da revolução cubana em redes de narcotráfico. E é apaixonada por literatura.

Diz uma amiga de infância que adora uma “boa fofoca” e, dentro dos limites, não hesita em dar um pé de dança numa noite de Luanda: “É humana e mulher, como qualquer uma de nós”. É uma benfiquista de gema e nutre simpatia pelo Real Madrid. Expresso

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