Quinta, 25 de Julho de 2024
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Quarta, 07 Fevereiro 2024 12:30

Preços de produtos da cesta básica sobem até 50% em Janeiro

Produtos da cesta básica registaram aumentos em Janeiro do corrente ano, superando os preços praticados em Dezembro, período em que habitualmente há uma subida generalizada. Preço de uma caixa de peixe é superior ao salário mínimo e o do arroz pesa à volta de 78%.

Contrariamente à tendência histórica de queda dos preços dos principais produtos da cesta básica em Janeiro, no primeiro mês de 2024 alguns dos produtos atingiram aumentos de quase 40%, face a Dezembro último, conforme consulta do Valor Económico em diferentes estabelecimentos retalhistas.

Entre os principais produtos mais consumidos pelas famílias, a coxa de frango está entre os que registaram maior variação do de preço. A caixa de 10 quilogramas, vendida em Dezembro entre 15 e 16 mil kwanzas, saltou para os 22 mil kwanzas, um aumento de 37,5%. No entanto, é possível encontrar em alguns armazéns a caixa a ser comerciada por 18.900, mas “esta não é de boa qualidade”, segundo algumas testemunhas.

O arroz é outro produto cujo preço registou um incremento considerável. O preço do saco de 25 kg subiu 25% ao ser comercializado a 25 mil, mais cinco mil em relação ao preço praticado no fim do ano transacto. Mas, quando se descarta a qualidade, é possível comprar entre 21 e 22 mil kwanzas.

Neste caso, o preço a subida é associado à variação da taxa aduaneira. Anteriormente livre de encargos fiscais, com a nova pauta aduaneira a importação do arroz tem uma taxa de 20%, apesar de o país produzir apenas 21 mil toneladas anualmente e ter uma necessidade de consumo de 400 mil toneladas anuais.

O produto que verificou maior aumento, de cerca de 50%, é a fuba de milho, embora os dados governamentais digam que o país é actualmente auto-suficiente. O preço de 10 kg que custava 5 mil kwanzas disparou para os 7.500 kwanzas. A massa alimentar é outro produto em relação ao qual o Governo defende existir produção auto-suficiente, tendo registado um aumento com uma variação de 46%, a caixa de 20 pacotes passou de 5 mil para 7.300 kwanzas.

Por sua vez, a caixa de carapau de 30kg, anteriormente nos 53.500, subiu 12% para os 60 mil kwanzas.

A mesma subida de preço verificou-se no alimento mais consumido a nível do mundo. O preço do pão francês passou de 35 para os 45 kwanzas e o cacete aumentou de 100 para 130.

TENDÈNCIA PODE MANTER-SE

Economistas e comerciantes entendem que os preços da cesta básica e não só poderão aumentar para níveis mais altos a partir do fim de Fevereiro, com a entrada em vigor da nova pauta aduaneira, instrumento que, para o Governo, vai beneficiar a produção nacional. Por exemplo, o Centro de Investigação Económica da Universidade Lusiada (Cinvestec) antevê mais escassez de produtos e altos preços, consequentemente mais dificuldades às famílias.

"Produzimos muito menos do que o necessário para o consumo interno. Se quase não exportamos bens e serviços finais e temos de importar uma parte significativa do que ganhamos com os rendi- mentos do petróleo para satisfazer o consumo, é necessário não avançar com a proibição administrativa das importações e testar, já, a retirada dos subsídios ao gasóleo", recomenda no último relatório económico publicado em Dezembro de 2023.

A subida de preços tem obrigado mais famílias a optarem pelo modelo de compra compartilhada de alimentos. Em alguns estabelecimentos, os produtos já são vendidos em metades. Por exemplo, o meio saco de arroz custa 12.500 kwanzas e a meia caixa de peixe carapau está a 30 mil. Valor Económico

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