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Terça, 21 Novembro 2023 21:41

Reservas internacionais líquidas de Angola garantem sete meses de importações de bens

As Reservas Internacionais Líquidas (RIL) de Angola, até final de Outubro último, fixaram-se em 14,24 mil milhões de dólares norte-americanos, o que corresponde a uma cobertura de cerca de sete meses de importações de bens e serviços para o país, segundo o Banco Nacional de Angola (BNA).

Ao apresentar as decisões saídas da 114.ª reunião do Comité de Política Monetária (CPM), realizada nos dias 20 e 21 deste mês, em Luanda, o governador do BNA, Manuel Tiago Dias, disse ainda que, nos 10 primeiros meses de 2023, o saldo superavitário da conta de bens fixou-se em 16,83 mil milhões de dólares, contra USD 29,16 mil milhões registados em igual período do ano anterior.

No período em análise, esses dados representaram uma redução de 42,27% (12,33 mil milhões de dólares), reflexo da baixa das receitas de exportação em 32,12% (USD 13,92 mil milhões).

Como consequência disso, o gestor do BNA afirmou que a oferta de divisas no mercado cambial situou-se em USD 8,43 mil milhões, uma redução de 28,66%, comparativamente ao montante transaccionado no mesmo período do ano passado.

Nos mercados das commodities, referiu que os preços médios de petróleo reduziram, devido a factores ligados ao aumento da oferta, destacando-se o aumento das exportações russas, assim como a expectativa de uma menor procura, resultado da manutenção de políticas monetárias restritivas pelos Bancos Centrais e das incertezas em torno da economia chinesa.

Citando o recente relatório do FMI, Manuel Tiago Dias referiu que as perspectivas de desaceleração da economia mundial, em 2023 e 2024, permanecem explicadas, em particular, pelo desempenho das economias avançadas e emergentes.

Quanto à inflação mundial, recordou que continua alta, facto que obriga os principais Bancos Centrais a permanecerem cautelosos quanto à reversão da sua postura restritiva na condução da política monetária.

A nível nacional, a inflação mensal, em Outubro, fixou-se em 2,15%, explicada, maioritariamente, pela contribuição da classe de Alimentação e Bebidas não Alcoólicas (1,42 pontos percentuais), segundo os dados de preços divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Conforme o INE, as maiores variações de preços foram verificadas nas classes de Saúde (2,66%), Transportes (2,54%), Alimentação e Bebidas não Alcoólicas (2,42%), Vestuário e Calçado (2,31%).

Em relação às contribuições por produtos, 24 dos 732 produtos da matriz do Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) contribuíram com 1,18 pontos percentuais na inflação total, correspondendo a 54,67%, com realce para o açúcar branco granulado (0,15 pontos percentuais), o arroz grão médio e longo (0,24 pontos percentuais), o óleo de soja (0,11 pontos percentuais) e o carapau fresco ou congelado (0,07 pontos percentuais). Em termos homólogos, a taxa de inflação situou-se em 16,58%.

Face a trajectória da inflação, recomenda-se a manutenção do sentido restritivo da política monetária, com vista ao seu alinhamento com o objectivo de médio prazo, situação que continuará a ser monitorada pelo BNA e que poderá levar à tomada de medidas adicionais, caso seja necessário.

Mercado monetário

Nesse domínio a Base Monetária em moeda nacional, variável operacional da política monetária, registou uma expansão de 2,29%, em Outubro, enquanto as variações acumulada e homóloga situaram-se em 16,96% e 22,52%, respectivamente.

De acordo com o BNA, a expansão acumulada da Base Monetária foi impulsionada, fundamentalmente, pelo efeito expansionista da Execução Fiscal.

Por seu turno, o agregado monetário M2 em moeda nacional, variável intermédia da política monetária, registou uma expansão de 1,14%, em Outubro, elevando assim a expansão acumulada para 20,64% e a homóloga para 22,07%.

No mesmo período, o stock de crédito à economia, em moeda nacional, registou uma expansão de 1,43%, tendo atingido 4,33 biliões de kwanzas. Em termos acumulados, a expansão foi de 15,21% e de 2,28% comparativamente ao período homólogo.

Na mesma senda, o crédito ao sector privado apresentou, em Outubro, um aumento de 0,65%, tendo atingido um crescimento acumulado de 25,40% e de 20,50% em termos homólogos.

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