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Quinta, 12 Janeiro 2023 21:36

China rejeita 'armadilha da dívida' em África e desafia bancos multilaterais a fazer mais

O ministro dos Negócios Estrangeiros da China rejeitou hoje a narrativa de uma 'armadilha da dívida' aos países africanos, defendendo que a dívida faz parte do desenvolvimento e que é necessário garantir o financiamento acessível.

"A contribuição da China é concreta e melhora as vidas dos africanos, nós não aceitamos o rótulo irrazoável de uma 'armadilha da dívida'", disse Qin Gang, que está a realizar uma visita a vários países africanos, no âmbito da qual irá fazer uma visita a Angola, que comemora hoje os 40 anos de relações diplomáticas com a China.

"A solução para o problema requer lidar não apenas com os sintomas, mas também com as causas subjacentes através do tratamento da dívida, entre outros, para melhorar a capacidade de desenvolvimento independente e sustentável de África", disse o governante, de acordo com uma nota dos serviços de imprensa das autoridades chinesas.

Os comentários de Gang são encarados como uma resposta às autoridades norte-americanas, que têm repetidamente criticado a China não só pelo volume e condições dos empréstimos feitos aos governos e às empresas públicas africanas, mas também pela falta de transparência dos acordos financeiros.

A China representa cerca de 12% da dívida externa dos governos africanos, à volta de 700 mil milhões de dólares (perto de 650 mil milhões de euros), com a Zâmbia e o Gana, ambos em incumprimento financeiro das suas obrigações para com os credores externos, a estarem entre os maiores devedores ao gigante asiático.

Citando números do Banco Mundial, Qin Gang salientou que os bancos multilaterais representam três quartos da dívida externa e acrescentou que deviam ter um papel maior na resolução do problema da dívida, cujos custos aumentarão 50% até 2026 face aos níveis de 2019, de acordo com o centro de pesquisa 'Finance for Development Lab'.

A tradicional visita do MNE chinês a África no início do ano levará Qin Gang, no cargo desde 31 de dezembro, ao Gabão, Angola, Benim e Egito, já depois da sua passagem pela Etiópia, na qual prometeu um perdão de parte da dívida que em 2020, segundo a Chatham House, era de 13,7 mil milhões de dólares (12,6 mil milhões de euros), mas sem divulgar o valor concreto.

Em entrevista à agência Lusa, no dia em que Angola e China celebram 40 anos de relações diplomáticas, o presidente da Câmara de Comércio Angola-China (CAC), Luís Cupenala, considerou que as relações entre os dois países foram estabelecidas para o benefício mútuo e têm sido consistentes.

Cupenala descreveu 2022 como um “bom ano” em termos das parcerias comerciais, com as trocas entre os dois países a atingirem cerca de 23 mil milhões de dólares (cerca de 21,3 mil milhões de euros) até outubro, enquanto o fluxo do investimento privado chinês mais do que duplicou entre 2020 e 2022, passando dos 125 milhões de dólares (115 milhões de euros) em 2020 para 295 milhões de dólares (273 milhões de euros) no ano passado.

O stock de investimento situou-se nos 24 mil milhões de dólares (22,2 mil milhões de euros), incluindo o setor petrolífero.

Desvalorizou, por outro lado, o elevado peso da dívida de Angola para com a China, lembrando o apoio financeiro que este país deu, no final da guerra, para a reconstrução nacional.

“É uma dívida que existe e quem deve, deve pagar. Angola está a servir a dívida, não vemos qual o problema que pode trazer para Angola, a não ser que haja um ‘default’”, atirou.

Construção, imobiliário, agricultura e agroindústria, indústria extrativa, fabrico de equipamentos elétricos, telecomunicações e saúde são algumas das áreas dominantes do investimento chinês em Angola.

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