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Segunda, 09 Janeiro 2023 11:27

Orçamento de Angola mostra melhoria mas ainda não chega à população - consultora

O economista-chefe da consultora Eaglestone considerou hoje à Lusa que o Orçamento de Estado para 2023 de Angola mostra a melhoria nas condições económicas, mas alertou que ainda vai demorar até as condições de vida da população melhorarem.

"O Orçamento Geral do Estado para 2023 mostra um cenário macroeconómico e de contas públicas mais positivo face a 2022, com uma trajetória positiva, principalmente tendo em conta a recessão de 2016 a 2020 e uma certa estabilização da economia em 2021, com um crescimento muito ligeiro de 0,7%", disse Tiago Dionísio.

Em declarações à Lusa para analisar o Orçamento Geral do Estado (OGE) para este ano, o economista-chefe da consultora Eaglestone vincou que "a meta de crescimento para 2022, de 2,7%, deverá ser atingida com relativa facilidade, já que até ao terceiro trimestre o crescimento já era de 3,4%", mas salientou que ainda vai demorar algum tempo até que o regresso ao crescimento económico se sinta na vida das pessoas.

"Vamos ver se a melhoria nas condições económicas se reflete na população angolana e no nível de vida, vamos ver, mas depois de um período de cinco anos de recessão, ainda vai demorar algum tempo", alertou o economista português.

O Orçamento de Estado para 2023 prevê um crescimento económico de 3,3%, em linha como os 3,4% estimados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que é "bastante razoável", e uma expansão média de 4,1% entre 2024 e 2028, o que representa "uma melhoria de crescimento nos próximos anos, que é importante, mas ainda assim não é a quase dois dígitos, como se verificou na década anterior".

A previsão de inflação, "ao contrário do que acontece na maior parte dos países do mundo, em que sobe, em Angola, devendo ter chegado ao final de 2022 abaixo da meta de 18%, em torno dos 14,4%, e para 2023 a previsão está perto de 11%", apontou Tiago Dionísio.

O Orçamento, acrescentou, "estima aumentar o investimento público para tentar acelerar o crescimento económico e melhorar o emprego no país, que tem uma taxa de desemprego bastante elevado, em torno dos 30%, que poderá ser melhorada pelo investimento público", concluiu.

A proposta do OGE2023, elaborada prevendo um preço médio do barril de petróleo de 75 dólares (70 euros), abaixo da média de 100 dólares de 2022, foi entregue ao parlamento angolano em 09 de dezembro de 2022 a vai a discussão e votação na generalidade na sexta-feira, dia 13.

O ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola, Manuel Nunes Júnior, que fez a entrega do documento disse, na ocasião, que o OGE2023 tem um excedente orçamental de 0,9% e que a taxa de crescimento prevista será maior que a taxa de crescimento da população.

A proposta do OGE2023 vai cumprir fundamentalmente dois objetivos, apontou, elencando a “continuação do crescimento económico do país e o prosseguimento de uma gestão orçamental prudente”.

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