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Quarta, 27 Outubro 2021 14:14

Portuguesa Wayfex tenta travar crise das divisas em Angola

A financeira portuguesa Wayfex lançou uma nova solução de swaps transfronteiriços em parceria com a Unitransfer e o Wells Fargo, tendo já o aval do Banco Nacional de Angola. O objetivo é chegar aos 100 milhões de dólares em transações em 2022.

A crise das divisas geradas pelo crash petrolífero, há mais de cinco anos, criou um garrote para a liquidez das empresas que operam em Angola. O problema não é novo e tem sido uma preocupação para empresários, investidores e bancos, mas há agora um português a tentar criar uma nova solução para a questão. A Wayfex é a financeira que se juntou à Unitransfer e ao Wells Fargo para lançar uma plataforma digital de transações internacionais de divisas, especialmente daqueles que envolvem moedas com diferentes volumes de liquidez.

“A Wayfex é uma plataforma que facilita o swap de divisas. Operamos em mercados de elevada liquidez, nomeadamente nos Estados Unidos com o dólar e na Europa com o euro, com mercados onde existem fortes restrições de capital e pouca liquidez de capital”, explica o fundador e CEO Carlos Veiga. “Começámos as operações com Angola, face às dificuldades que existem para as empresas locais e os investidores de terem acesso às divisas.”

O swap de divisas funciona através de uma troca de posições de moedas. Por exemplo, um investidor norte-americano que tenha investimentos em Angola como uma petrolífera e precise de liquidez em kwanzas pode utilizar a plataforma. Por outro lado, também é o caso de empresas angolanas, nomeadamente importadoras, que necessitem de fazer pagamentos no exterior e que tenham dificuldades de acesso às divisas.

O parceiro local em Angola é a empresa licenciada em serviços de pagamentos Unitransfer, que é usada para a movimentação de fundos. Já o Wells Fargo é um parceiro global que fica com a custódia das contas.

“Estivemos mais de dois anos a fazer todo o processo de licenciamento e identificação do mercado”, refere o empresário sobre a criação da empresa, que detém em 90% juntamente com um sócio português e um investidor com dupla nacionalidade brasileira e norte-americana, enquanto os restantes 10% estão divididos pela equipa. A sede é nos EUA, onde é também sujeito a regulação. “Se fosse ao contrário e estivéssemos só licenciados na Europa, não conseguiríamos fazer a movimentação de fundos sem fazer o licenciamento nos EUA. A partir daí, como as contas que movimentam os fundos são a partir do Wells Fargo, o Wells Fargo é que tem de estar licenciado para operar nas várias jurisdições.”

Assim, o Banco de Portugal fica de fora da equação. Já o Banco Nacional de Angola (BNA) deu não só a autorização como o aval. “Fomos assessorados por vários advogados em Portugal e em Angola e foi pedido explicitamente ao BNA que se pronunciasse a favor desta operação, apesar de a licença já o contemplar. Estivemos um ano à espera, mas obtivemo-lo e não iniciámos as operações sem ter essa autorização explícita”, aponta Veiga.

Segundo o empresário, essa validação do regulador foi conseguida pois não há saída de capitais do país. “Dólares ou euros movimentam-se sempre entre bancos fora de Angola e os kwanzas funcionam só dentro de Angola. Não existe variação da balança cambial angolana. Existem é trocas de propriedades de fundos que estão fora ou dentro.”

Foi assim que a financeira começou a atuar com foco no mercado empresarial e dos investidores profissionais, mas não com clientes de retalho. Os investidores estrangeiros nos EUA são principalmente petrolíferas, empresas de construção e de mineração. Em Portugal, são empresas do setor alimentar, agroalimentar e da construção. E em Angola são as grandes empresas angolanas ou estrangeiras com filiais no país que precisam de pagar importações.

As operações mínimas que vamos fazer são de 100 mil dólares, sendo que os termos da transação são sempre negociados individualmente e a comissão da Wayfex é fixa. Apesar de o limite mínimo ser elevado, Veiga considera que o mercado precisa de muito mais e afasta qualquer cenário de falta de liquidez.

“A liquidez do mercado depende sempre da oferta e da procura. Segundo os estudos e o levantamento que fizemos do mercado, existe uma necessidade fixa, face aos investimentos que já existem (e não se prevê que haja muito mais desinvestimento do que aquele que houve entre 2015 e 2020), uma necessidade de liquidez na ordem dos 50 milhões de dólares por mês. O nosso objetivo é chegarmos a 10% deste mercado”, diz, definindo como objetivo atingir transações entre 60 e 100 milhões de dólares em valores de transação no primeiro ano. “A partir do momento em que for gerada confiança, no ano seguinte o nosso objetivo é duplicar esse volume. Não é ambicioso, é realista.”

O plano estratégico da empresa define que não seja necessário mais financiamento externo. Este ano, a expectativa é que as receitas possam cobrir as despesas e a ampliação da plataforma a outros mercados (com o Golfo da Guiné como prioridade) e no segundo ano já esperam gerar lucro.

Jornal de Negócios

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