Quinta, 20 de Janeiro de 2022
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Segunda, 10 Janeiro 2022 20:12

No comité do MPLA em Luanda só restam escombros após vandalização condenada por cidadãos

Portas, janelas e mobiliário danificados, geradores, documentos, bandeiras e material de propaganda queimados são as consequências da vandalização de que foi alvo hoje o comité do MPLA, partido no poder, do Distrito Urbano do Benfica, em Luanda.

Segundo testemunhas, o ato contra o comité do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder desde 1975) resultou alegadamente da ação de populares que, desde as primeiras horas, protestavam devido à paralisação do serviço de táxi nas imediações, e foi condenado por militantes do MPLA.

"Logo que cheguei aqui próximo ao comité do MPLA vi que era mesmo vandalismo que estava a ser feito e não fui muito a favor disso porque é um crime", descreveu à Lusa um morador, Alberto Culembe, 33 anos.

Um autocarro do Centro de Hemodiálise do Benfica, afeto ao Ministério da Saúde, foi completamente carbonizado e pilhado após os autores danificarem as instalações do MPLA.

O morador do distrito urbano do Benfica contou também que o autocarro foi vandalizado após o motorista o ter parado nas imediações, deparando-se com uma via tomada pelos cidadãos que ali protestavam com "barricadas e queimas de pneus no asfalto".

Entre os destroços que restam na sequência da ação, que decorreu a 20 metros da esquadra da polícia de Benfica, a sul de Luanda, está um gerador industrial completamente carbonizado e demais compartimentos que não escaparam à fúria dos populares.

Testemunhas oculares contaram à Lusa que a ação começou logo pela manhã e condenaram os atos de vandalismo, lamentando a "resposta tardia das autoridades policiais" e referindo que esta atitude também é sintomática do grau de "insatisfação da população".

Segundo Alberto Culembe os incidentes tiveram início às 07:00 locais e "apenas duas horas depois a polícia interveio".

Os bombeiros ainda acorreram ao local, extinguiram as labaredas em alguns compartimentos, mas "pouco ou nada sobrou para ser reaproveitado", acrescentou.

Taxistas em Luanda e em mais seis províncias angolanas iniciaram hoje uma paralisação dos seus serviços, que se estende até quarta-feira, em protesto contra a "discriminação na fiscalização do decreto sobre a situação de calamidade pública, desrespeito e excesso de zelo dos agentes da polícia", entre outros.

"[É] reprovável, é triste, independentemente dos motivos que levaram a população a se manifestar, mas é um ato reprovável, eu presenciei, o povo tem as suas razões, está insatisfeito, mas atos como este são reprováveis na sociedade", relatou Arnaldo Lucas à Lusa.

Mas para este munícipe do distrito do Benfica, a vandalização à instituição do MPLA e ao autocarro público dá duas leituras sobre o incidente: "Ficamos tristes, mas também estamos contentes porque até certo ponto é uma situação que está a cansar a juventude angolana".

"E como não há respostas aqueles menos pacientes partem para ações como esta", justificou.

Quem também viu a sede do MPLA em chamas foi Elias Sassoma, 28 anos, que reprova a atitude dos populares e a resposta tardia da polícia para acabar com a situação.

"Por causa da greve não havia táxis para poder atender a população, era muita gente e aquele pessoal não conseguia se locomover para o trabalho e, então, foi um movimento mesmo triste, o pessoal logo chegou no comité e começou a invadir", contou.

Vários dirigentes do MPLA já condenaram publicamente o ato e, segundo relatos no local, mais de 10 cidadãos supostamente envolvidos terão sido detidos pela polícia angolana.

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