Os dados foram avançados pelo presidente do Conselho de Administração da Ozango Minerais, empresa que conta com a britânica Pensana e o Fundo Soberano de Angola entre os acionistas, além de duas participações minortárias angolanas, e que pretende começar as obras a partir de maio deste ano.
“Trata-se de um mineral que tem grande utilidade no quadro da transição energética”, explicou Alcídio José aos jornalistas durante uma visita de uma comitiva diplomática que está a percorrer o Corredor do Lobito, apontando o interesse crescente na redução das emissões de carbono.
O mineral em causa é usado nos ímanes permanentes, matéria-prima crítica para os veículos elétricos.
Localizada em Longonjo, a cerca de 70 quilómetros do Huambo, província do Centro-Sul de Angola, a mina é servida pela linha férrea do Corredor do Lobito e abrange um perímetro de cerca de 200 hectares na área de exploração.
“Temos a sorte de ter aqui uma reserva significativa [de terras raras]. Numa primeira fase, a nossa produção será equivalente a mais ou menos 2,5% da demanda mundial.
Quando a gente olha para esse número, pode parecer pequeno, mas quando colocamos na perspetiva de que se trata de um setor de domínio concentrado, 2,5% de uma fonte independente, numa primeira fase, é muito importante”, sublinhou o responsável da empresa que tem uma concessão prorrogável de 35 anos. “É um setor que não existe em muitos lugares do mundo.
Angola vai ser um ponto no mapa que se calhar procura-se com uma lupa”, realçou, indicando numa primeira fase uma produção de 20 mil toneladas anuais deste concentrado de terras raras.
A empresa está a finalizar os contratos para financiar este investimento que vai rondar os 260 milhões de dólares (241 milhões de euros), sendo a norte-americana DFC um dos principais financiadores.
Com início da operação comercial prevista para 2027, a Ozango Minerais tem já em vista, entre os potenciais clientes, uma entidade australiana, mas tem estado em contacto com outras empresas, adiantou Alcídio José.
Numa fase posterior, a Ozango pretende desenvolver o processamento e separação do produto final para complementar a cadeia de valor, o que significa um investimento de mais 260 milhões de dólares.
“O nosso interesse é, obviamente, trazermos a estrutura integrada toda, verticalizá-la toda em Angola pelas vantagens óbvias que isso traz. Portanto, teríamos menos custos operacionais, teríamos aqui uma eficiência em termos do valor do produto, do preço do produto final”, destaca.
O responsável aponta ainda outras vantagens, nomeadamente a criação de emprego, estimando 860 postos de trabalho na fase de construção e 430 empregos direto na fase inicial de operação.
A exploração mineira traz também desvantagens, já que se trata de uma zona com atividade humana e uma atividade sensível do ponto de vista ambiental, implicando movimentação de algumas zonas de produção agrícola, questões que o responsável garantiu estarem a ser articulados com representantes da comunidades locais. Cerca de 20 diplomatas de várias nacionalidades participam numa visita ao Corredor do Lobito, organizada pela embaixada dos EUA em Angola, percorrendo alguns dos projetos emblemáticos que estão a ser desenvolvidos ao longo desta infraestrutura que percorre Angola ao longo de 1.300 quilómetros, do Porto do Lobito (litoral) à fronteira com a República Democrática do Congo.