O embaixador português em Angola abordou nesta quarta-feira, em Luanda, as “preocupações” dos agentes económicos que operam no país africano, apontando os atrasos nos pagamentos, instabilidade cambial e inflação como impactos negativos.
Além da excessiva dependência das exportações de petróleo, que “continua a ser uma fragilidade de Angola face a choques externos”, há outros fatores que têm suscitado preocupação por parte dos agentes económicos, referiu.
“Os atrasos nos pagamentos, a instabilidade cambial, a dificuldade no repatriamento de capitais, a inflação, as taxas de juro praticadas pela banca, ou a falta de mão-de-obra qualificada, são fatores que têm tido um impacto negativo nas operações e nos planos de investimento das empresas”, disse o diplomata português.
Francisco Alegre Duarte afirmou que Portugal e França são os dois parceiros internacionais que “mais e melhor emprego geram neste país”.
Frisou a “excelência” do relacionamento entre Portugal e Angola, que se traduz na “fraternidade” da celebração conjunta dos 50 anos do 25 de Abril, assinalados em 2024 com a presença do Presidente, João Lourenço, em Lisboa, e agora com os 50 Anos da Independência de Angola, cujas comemorações oficiais contarão com a representação de Portugal ao mais alto nível, a 11 de novembro.
O diplomata lembrou que a presença económica das empresas portuguesas se manifesta “em todos os setores da economia, para além do ‘oil & gas'”, sublinhando que o “desafio crucial” para o futuro da economia de Angola é ir além do petróleo.
Apontou as vantagens do financiamento europeu que se distingue “pelo valor incorporado nos projetos” e assinalou que, apesar de alguns equívocos na comunicação que geram “ruído e confusão”, a concessionária do Corredor do Lobito, Lobito Atlantic Railway, é composta por três empresas privadas europeias, sendo uma delas, a Mota-Engil, uma empresa que nasceu em Angola.
“[Quanto aos investimentos efetuados], na ordem já das centenas de milhões de euros – falo de investimentos, não de empréstimos anunciados -, ficaram a cargo das empresas europeias”, salientou.
Francisco Alegre Duarte apontou ainda a falta de reciprocidade no que diz respeito à Segurança Social, já que Angola ainda não ratificou a convenção sobre esta matéria.
“Persiste uma falta de reciprocidade nesta matéria, porquanto do lado português já garantimos aos cidadãos angolanos que fazem descontos para a Segurança Social em Portugal – e são já largas dezenas de milhares – o direito legítimo à portabilidade das suas pensões, ou seja, a receberem, fruto dos descontos efetuados ao longo das suas carreiras contributivas, as suas pensões em euros, não apenas em Portugal, mas também em Angola”, destacou.
Alegre Duarte reiterou ainda a mensagem central da diplomacia económica portuguesa, frisando que “a melhor forma de Angola atrair novas empresas portuguesas – e isto vale também para as outras europeias – é acarinhar aquelas que já cá estão, e que aqui se mantiveram nos bons e nos maus momentos”.