Domingo, 26 de Mai de 2024
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Terça, 14 Mai 2024 18:19

Os meandros da feitiçaria e o papel do Estado

Crianças acusadas de feitiçaria Crianças acusadas de feitiçaria

Um adolescente de 12 anos foi recentemente espancado até à morte por seis jovens que alegavam que ele era feiticeiro pelo facto destes terem sonhado algumas vezes com ele, no município do Soyo, na província angolana no Zaire.

Na província do Bié no ano passado, quarenta e cinco pessoas morreram na comuna da Muinha, no município de Camacupa, depois de serem obrigadas a ingerir um líquido feito a base de ervas, denominado “Mbulungo”, para provar se tinham cometido ou não determinado crime, "geralmente por feitiçaria".

O Mbulungo é um veneno produzido por um suposto adivinho (quimbandeiro). O líquido é tóxico e é dado a uma pessoa que está a ser acusada da morte de alguém na aldeia.

O suspeito é obrigado a beber o veneno e se o efeito provocar a sua morte, "então fica provada a acusação".

Segundo a administradora, tudo acontece quando existe desavenças entre as famílias, sobretudo quando morre uma pessoa na aldeia sob suspeição de feitiçaria.

“No sentido de comprovar a culpabilidade do crime, as pessoas vão até ao suposto quimbandeiro e muitos nem sempre voltam com vida, pois o veneno mata em poucas horas”, lamentou.

Na Guiné-Bissau, em fevereiro, oito idosos foram mortos alegadamente por serem feiticeiros na localidade de Culadje.

As vítimas terão sido obrigadas a ingerir um veneno feito à base de plantas silvestres para comprovar se eram feiticeiras, como dizia a população que lhes atribuia "as constantes mortes de grávidas, crianças e jovens" e ainda "os insucessos escolar e político dos naturais desta povoação".

Moçambique, como a Voz da América, tem noticiado, tem registado muitos casos, nomeadamente relacionados com desinformação sobre combate à cólera, contra albinistas e até carecas.

Como é que a crença, em muitos casos, e a cultura noutros continuam a levar pessoas à morte?

Para tentar entender este fenómeno no momento em que as autoridades desses países procuram responsabilizar os autores desses assassinatos, o programa Agenda Africana da Voz da América falou com o jurista e investigador guineense Fode Mané e o padre e antropólogo angolano Pedro Gabriel Chombela.

Ambos apontaram a necessidade de uma presença maior do Estado e uma maior aposta na educação, ao mesmo tempo que as autoridades judiciais são chamadas a impor a lei. C/VOA

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