Quarta, 23 de Junho de 2021
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Quinta, 10 Junho 2021 11:24

Senhores salteadores arrependam-se e tomem a atitude de devolver o que pertence à nação - Pastor Lufuankenda

Não sei vocês, mas eu não consegui ver riquezas naquelas malas, apenas vi pobreza, porque riqueza só pode ser o bem que o dinheiro pode causar. Qualquer dinheiro que só fere, mata e faz mal, só pode ser pobreza.

O que eu vi naquelas malas de dinheiro!!?

Eu não vi apenas malas de dinheiros, eu vi caixões de milhares de crianças mortas por falta de assistência médica e medicamentosa causada pela falta que fez aquele dinheiro, e tantos outros dinheiros desviados da economia do país (pelas mãos dos que lideram o país).

Vi naquelas malas o dinheiro que serviria para vencer o paludismo, o dinheiro que faltou para não permitir Luanda ser lixeira produtora de moscas, moscas produtoras de bactérias, bactérias produtoras de doenças, doenças produtoras de mortes, e mortes não responsabilizadas por "ninguém".

Não vi só malas de dinheiro, vi mais do que isso, vi o desemprego, vi adiadas fábricas que estariam abertas se o dinheiro fosse investido, vi dentro daquelas malas, muitos jovens a trabalhar, poucas moças a se prostituir para sobreviver, vi contentores de lixo sem ninguém a procura de comida para comer, vi fazendas que estariam a produzir comida melhor que as que importamos, vi projetos que estariam a empregar os jovens formados em Angola e fora de Angola (que hoje apodrecem os diplomas e não se aplica as qualificações).

Eu não vi apenas malas de dinheiro, vi a água que estaria num Cunene sem seca, vi o canal que iria se construir do Rio Cunene para distribuir águas nas áreas mais longínquas da província, vi Luanda esvaziada porque haveria muita produção nas demais províncias, vi desenvolvimento empacotado nas malas do Major, nas caixas pretas do homem com sotaque estrangeiro e nos relatos de tantos outros dinheiros desviados.

Eu não vi apenas dinheiros na mala, vi anulada a ponte que ligaria cabinda por estrada ao resto do país, vi madeiras de cabinda a servir a nação por estrada, e a nação cheia de noção de seus bens fazendo bem à seus filhos, vi roubado o retorno do dinheiro para as terras que produzem os tais dinheiros, vi anulado o sonho de um Soyo melhor, um Mbanza Congo como cidade dos Reis, um bengo a contar história de independência, vi Huambo, Huila, todas sendo cidades bem maiores do que são tudo na mala, até cheguei a ver também Califórnia em Benguela naquelas malas, vi o mel do Moxico, vi um Malange melhor, Um Kuando Kubango rico, olha que vi Bié o ser o centro de Angola que parece não ser, vi melhor os dois Kwanzas, com o rio que não divide apenas o serve prosperidade, olha que todas províncias de Angola, com todas suas diferenças e riquezas culturais, as vi a ser a totalidade da Angola próspera.

Eu não vi apenas malas de dinheiros, vi apagado as Lundas que deviam brilhar como os diamantes que de lá se exploram, vi Lundas de pensadores pensativos com a riqueza que representam, mas com pobreza que apresentam, sendo meros buracos de exploração de riquezas de todos que vão parar as malas de alguns; vi sim mais que malas, vi que cidades que já deviam ser cidades ainda são matas, porque a cidade está em dinheiros e relógios nas malas dos chefes.

Eu não vi só dinheiro em malas Lussaticas, vi atrasos provocados por lunáticos que tinham acesso a bens, e tinham o poder de escrever uma história de sucesso e fracassaram, eu vi naquelas malas, aqueles que tinham o dever de criar avanços a criaram atrasos. Eu vi naquelas malas, casas e carros, vaidades, tolices e despesas desnecessárias, num país que viaja toda hora para ir pedir empréstimo. Também vi tecnologia presas nas malas, invenções que fariam nossos génios criarem maravilhas se lhes apostássemos notas que o Major não sabe contar.

Eu não vi malas de dinheiro somente, eu vi adiada as fábricas de farinha de peixe do Tómbua, fábricas com máquinas novas a funcionar caso estes dinheiros fossem aplicados, vi as fábricas de tecidos testang a funcionar, A Mabor e similares, a Induve e outras tantas indústrias que se pudessem criar; e vi café do Uíge a ser outra vez elevado ao seu lugar, o cacau, o açúcar, e vi fábricas, escolas, hospitais, centro de investigação e ciência; vi avanços que teríamos caso o tal avanço não estivesse empacotado em malas de atraso.

Eu não somente vi malas de dinheiros, mas vi a morte de sonhos de uma Angola na mão de angolanos, vi a anulação de jovens empresários competitivos, petrolíferas e diamantíferas em mãos de investidores nacionais, produtoras e prestadoras de serviço a funcionar, fiscalizadoras e revendedoras de jovens angolanos a trabalhar, vi cancelamentos de dragas de diamantes, vi a morte da economia de mercado no seu melhor, vi naquelas malas o neo-colono que a si mesmo se coloniza e coloniza seu irmão com notas que não sabe nem contar nem cantar.

Vi naquelas malas adiada a competividade de empresas angolanas com as expatriadas, vi os franceses a não ser donos de todos grandes investimentos petrolíferos, mas a competir com também angolanos comprometidos com a indústria nacional, vi os chinês também a não ser donos dos maiores pontos de vendas, vi os libaneses, malianos, senegalês a competir com os filhos da terra na importação, e vi o outros povos a investir aqui, mas o nosso povo competitivo a investir também e a dominar, mas vi tudo isso naquelas malas de amostra, porque existem "supostamente" outras malas e até contentores cheios de bufunfas, caixas numeradas de dólares, até barras de ouro e pedras de diamantes escondidos aqui ou lá, por Kotas que não têm mais idade nem para gastar, e nem têm saúde para gostar tanto de dinheiro assim. Para mim, quem está prestes a morrer, não pode se apegar tanto assim a bens que não pode levar, mas trabalhar pelo que pode deixar; e o melhor a deixar é o legado e não o dinheiro que ninguém pode levar.

Não vi só dinheiros em malas, vi as estradas que aquele dinheiro iria construir, a livre circulação de bens levando Angola para Angola toda, vi as pontes que se deixou de construir, a economia que deixou de fluir, vi estacionado o dinheiro que devia circular, e vi o cinismo dos que se dizem defender a Pátria mas assistem impávidos a Pátria atacada pelos inimigos da vida  como: a fome, miséria, doenças, pestes, cheias, e tais comandantes não nos defendem, afinal, alguns são os que nos atacam.

Eu não consegui ver bem malas de dinheiro, vi com muita dor a minha avó que morreu de anemia no Uíge por não ter sal e açúcar em sua aldeia, vi outra avó minha que faleceu no Mbanza Congo por não ter no hospital condições de ser tratada, e a vi falecer sem antibiótico, apodrecendo em casa (tudo que queríamos era ir ao Congo, mas a dor prefere a morte), vi meu Primogénito que não chegou a reagir a reanimação porque chegue tarde a clínica de tanto engarrafamento poucas vias de acesso à cidade, e também vi os próprios que roubam a morrer nos hospitais aonde não investiram qualidade que guardaram nas malas, vi a falta de sangue na pediatria, a falta de insumos, falta de humanidade nos serviços, vi a falta de digno salário aos funcionários que frustrados tratam mal os pacientes, vi Angola longe de ser uma Nação respeitada em África. Vi a vergonha pública da minha Nação.

Não sei vocês, mas eu não consegui ver riquezas naquelas malas, apenas vi pobreza, porque riqueza só pode ser o bem que o dinheiro pode causar. Qualquer dinheiro que só fere, mata e faz mal, só pode ser pobreza. E eis a prova: até os que roubaram, fizeram mal não só a Nação, mas também fizeram mal a si mesmos e suas famílias. Qualquer dinheiro que custar sangue alheio para se adquirir, é dinheiro que cobrará sangue de quem o adquiriu

Senhores salteadores, arrependam-se e tomem a atitude de devolver a Nação o que pertence a Nação, doutro modo, o Criador lhes cobrará com rigor a injustiça praticada.

Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá.

Quem semeia para a sua carne, da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna.

Gálatas 6:7,8

Os filhos não precisam pagar com miséria a miséria que semeias em nossas vidas. Nós vos perdoamos antes de pedirem perdão, mas se retratar será para vós saúde para alma e salvação para história da Nação... Se apressem a fazer o bem para o bem da nação e vosso próprio bem

O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia. Provérbios 28:13

Já lutamos contra o colono, já lutamos uns contra outros pelos ideais partidários, mas chegou a vez de lutar contra a ganância, a corrupção, a falta de empatia, a falta de honra, a falta de respeito, a falta de amor, a luta continua, e a vitória só será certa se a luta continuar. Não temos como nos conformar com essa situação.

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